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Sob saraivada de críticas, Maradona prepara seleção argentina

Ex-técnico Menotti faz alusões anatômicas sobre estado do time que enfrenta o Uruguai pelas Eliminatórias 2010

Ariel Palacios, Especial para o Estado de S. Paulo

13 de outubro de 2009 | 10h24

A seleção argentina disputará nesta quarta-feira em Montevidéu, contra o Uruguai, seu jogo mais importante nos últimos tempos. O time do técnico Diego Armando Maradona faz a contagem regressiva deste embate que definirá se a Argentina consegue passagem direta para a Copa do Mundo da África do Sul ou se continua na agonia da incerteza sobre uma eventual desclassificação. Esta segunda alternativa é um cenário que não ocorre desde 1969, quando o país soube que não participaria da Copa de 1970 no México.

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Maradona tentava detalhar a armação de sua seleção, a qual, segundo especulam analistas esportivos, teria um caráter altamente ofensivo. Mas, os analistas estão divididos sobre a estratégia mais conveniente a utilizar. Alguns indicam que é preciso defender o arco com firmeza. Outros sustentam que é necessário surpreender o Uruguai com certeiros e permanentes ataques.

 

Nessa segunda à tarde a seleção treinou a portas fechadas nas instalações da Associação de Futebol da Argentina (AFA), no município de Ezeiza, na Grande Buenos Aires.

 

A imprensa argentina não poupa Maradona das críticas. Os colunistas esportivos sustentam que a seleção "depende de milagres", tal como o ocorrido no sábado, no estádio Monumental, quando um gol de Martín Palermo ocorreu de forma inesperada, para alívio da hinchada (torcida).

 

O jornal Perfil estampou na segunda-feira o título "Maradona continua improvisando". Seguindo a mesma linha, o La Nación colocou a manchete que inclui uma reprimenda ao indefinido Maradona: "é o momento de definir uma ideia e levá-la para a frente com compromisso". O jornal Crítica disparou com ironia: "O que é que a Argentina está jogando?". O Clarín sustentou que existe "Muita incerteza pelo futuro".

O ex-técnico da seleção argentina de 1978, César Luis Menotti, foi breve e incisivo em sua avaliação - com referências anatômicas - sobre o desempenho do time de Maradona: "a seleção joga que nem um c...". Menotti não é o único que realiza ácidas crítica a Maradona. Entre os torcedores, as sutilezas sobre a capacidade do controvertido técnico e de seus "muchachos" desapareceram há tempos.

 

No meio do clima de pessimismo, os torcedores argentinos avaliam as estatísticas que indicam que a Argentina deixou de ser confiável quando joga fora de casa. Os dados mostram que, como visitante, os argentinos acumulam quatro derrotas consecutivas (com o Chile, Bolívia, Equador e Paraguai).

 

De quebra, a última vitória argentina em Montevidéu sobre o Uruguai ocorreu no distante 1976. De lá para cá, nos seis jogos transcorridos entre as duas seleções na capital uruguaia, os argentinos nunca venceram.

 

Por outro lado, a percepção generalizada da torcida - e dos analistas esportivos - é que o comando de Maradona é "caótico". Segundo uma pesquisa realizada pelo site do jornal esportivo Olé, somente 25,8% dos internautas acreditam piamente que a Argentina vencerá em Montevidéu. Outros 33,2% consideram que o país pelo menos empata, de forma a conseguir a classificação. Mas, 24,8% dos pesquisados acham que o país perde e vai para a repescagem, enquanto que 16,2% consideram que o país ficará categoricamente fora da Copa da África do Sul.

ADVERSÁRIO

A seleção uruguaia - "La Celeste" (em alusão à sua cor) - precisa vencer a Argentina nesta quarta-feira para conseguir a classificação para a Copa. Os jornais em Montevidéu afirmam que poderá ocorrer um "milagre" e que esta é uma "oportunidade ímpar". O técnico uruguaio, Oscar Washington Tabárez, que conhece bem o futebol argentino, pois foi treinador do Boca Juniors, afirmou que seu time estará "totalmente concentrado" para o jogo contra a Argentina. A figura central do time uruguaio será Diego Forlán, uma das estrelas do Atlético de Madri.

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