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Sobreviventes comemoram retorno a Chapecó com macarrão e pedido por videogame

Médicos admitiram surpresa com as boas condições de Alan Ruschel e Rafael Henzel

Ciro Campos, enviado especial a Chapecó, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2016 | 11h55

A vinda para Chapecó é uma grande aliada na recuperação do lateral Alan Ruschel e do jornalista Rafael Henzel depois do acidente aéreo da Chapecoense, há duas semanas. Os dois sobreviventes da queda do avião da LaMia na Colômbia voltaram ao Brasil na noite de terça-feira. Os médicos admitiram surpresa com a boa condição dos dois, que comemoraram o retorno ao País por rever a família e já até fizeram pedidos especiais.

O lateral Alan Ruschel comentou estar com saudade da comida do Brasil. O jogador ficou duas semanas internado na Colômbia. "Ele quer comer até arroz, feijão e bife acebolado. A equipe de nutricionistas vai fazer de tudo para atender", contou a médica Juliana Foresti, coordenadora de UTI do Hosital Unimed, em Chapecó. Na chegada ao hospital, o cardápio para o sobrevivente teve macarrão ao molho de tomate.

A comida, apesar de simples, agradou. "O Alan estava feliz por ver a família, do tempero nas refeições e até por ouvir português. São coisas que a gente não valoriza, mas depois de ficar duas semanas tenso, com medo e em outro país, com outra comida, essa volta energiza a pessoa e fortalece demais o psicológico", explicou a diretora hospitalar Carolina Ponzi.

Os dois vieram para Chapecó em jato da Força Aérea Brasileira. Foram mais de nove horas de deslocamento entre a base aérea de Rionegro, nos arredores de Medellín, e Chapecó, incluindo paradas em Manaus e Brasília. A dupla permaneceu tranquila durante o voo, sem problemas médicos, nem temores por voltar a voar depois de estarem entre os seis sobreviventes de um acidente que teve 71 vítimas.

Os médicos comentaram que Henzel e Ruschel demonstraram animação ao reencontrar a família e por voltarem à cidade onde moram. A família do jornalista organizou uma recepção no aeroporto com faixas e camisas. O filho dele, Otávio, de 11 anos, fez até um pedido incomum aos médicos. "Ele queria trazer o PlayStation ao hospital para jogar com o pai. O Rafael está tão feliz que disse que conseguiu dormir bem porque podia ouvir a televisão em português", comentou o médico especialista em trauma torácico Rovani Camargo.

Os sobreviventes contaram que a última noite foi a primeira bem dormida desde o acidente. Aos poucos os dois têm lido e sido comunicados sobre as homenagens para a Chapecoense e as mensagens de apoio que receberam. Ambos estão internados em isolamento, pois segundo os médicos apresentam infecção de bactérias multirresistentes e que podem se espalhar pelo ambiente hospitalar.

Ruschel e Henzel pediram para ver pela televisão o jogo do Nacional de Medellín contra o Kashima Antlers, no Japão, pelo Mundial de Clubes. O time colombiano seria o adversário da equipe catarinense na final da Sul-Americana e pela solidariedade ao acidente, criou uma relação de amizade com a Chapecoense. Os pacientes pediram para o horário do banho ser adiado para que pudessem torcer para o atual campeão da Libertadores, que acabou derrotado por 3 a 0.

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