Gilberto Almeida/Estadão - 2011
Gilberto Almeida/Estadão - 2011

Sócio de Rosell paga indenização imposta a Ricardo Teixeira

Empresa ligada ao presidente do Barça banca acordo do ex-presidente da CBF e Havelange com a Fifa

Jamil Chade - Correspondente, O Estado de S. Paulo

19 de outubro de 2013 | 08h33

GENEBRA - A indenização milionária imposta sobre Ricardo Teixeira e João Havelange para arquivar o maior caso de corrupção da história da Fifa foi paga por uma empresa ligada aos sócios de Sandro Rosell, o presidente do Barcelona. Segundo a Justiça suíça, Teixeira e Havelange fraudaram a Fifa em R$ 40 milhões entre 1992 e 2000 por meio de pagamentos de propinas da ISL, a empresa que vendia direitos de transmissão para a Copa de 2002 e 2006. O caso foi mantido em sigilo por anos e os cartolas brasileiros pagaram uma multa de US$ 2,5 milhões como devolução dos recursos e como forma de encerrar o caso de forma amistosa com a Fifa. O acordo mantinha seus nomes em sigilo em troca do dinheiro. Mas o sigilo não durou e recursos nos tribunais em Lausanne conseguiram a liberação da documentação.

Dados obtidos pelo Estado revelam que a empresa que fez a gestão para a devolução do dinheiro na forma de multas foi a Bon Us. Essa empresa depositou os US$ 2,5 milhões do acerto entre Teixeira, Havelange e a Fifa. O dinheiro foi para a conta de Peter Nobel, o advogado pessoal de Joseph Blatter, presidente da Fifa, que repassou o dinheiro à entidade. Quatro dias depois, mais US$ 100 mil foram repassados de um banco em Andorra para Nobel, supostamente como honorários de advogados.

O presidente da Bon Us não é declarado em documentos oficiais. Mas ele aparece como acionista da sociedade Co-Invest SP. Z O.O. registrada na Polônia e que tem como um de seus sócios Joan Besoli, sócio por sua vez de Rosell na Comptages SL, o escritório que tramitou o pedido de Teixeira para ser residente de Andorra. Novos documentos oficiais do governo de Andorra revelam que a empresa que fez o pagamento da indenização em nome dos brasileiros foi, dois anos depois, liquidada por membros da família Besoli, sócios de Rosell e gestor contratado por Teixeira.

Segundo o Boletim Oficial do Principado de Andorra, do dia 7 de março de 2012, obtido pelo Estado, a Bon Us é anunciada como em liquidação e a pessoa designada para o trabalho é Jordi Besoli, irmão do sócio de Rosell. O irmão de Jordi, Joan, é conselheiro de Finanças justamente da cidade onde Teixeira pediu residência em Andorra, Sant Juliá.

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