Sócrates diz que Copa no Brasil será uma 'roubalheira'

Ex-jogador critica decisão de Fifa de entregar o Mundial de 2014 nas mãos de Ricardo Teixeira

Tatiana Ramil, da Reuters,

30 de outubro de 2007 | 13h57

Grande parte dos "boleiros" está em festa com a confirmação do Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014. Porém, o ex-jogador Sócrates criticou nesta terça-feira a decisão da Fifa. Veja também: Brasil enfatiza preservação ambiental na apresentação na Fifa Paulo Coelho brinca: futebol é mais importante que sexoAs cidades candidatas a sede da Copa do Mundo de 2014 Opine: o que você acha do Mundial no Brasil? "Valeria a pena se tivesse gente séria, uma gestão transparente, com objetivos de melhorias sociais. Mas do jeito que está vai ser uma roubalheira", dispara o ex-jogador Sócrates, crítico da administração da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), presidida por Ricardo Teixeira há 18 anos. Para Sócrates, a CBF não conseguirá recursos suficientes da iniciativa privada e o dinheiro "vai sair do nosso bolso mais uma vez", como nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, em julho deste ano, quando o governo federal bancou a maior parte dos mais de 4 bilhões de reais gastos. Um dos legados do Pan foi a reforma do Estádio do Maracanã, que ainda assim segue fora dos padrões exigidos pela Fifa. O ex-jogador Bebeto elogiou, mas disse que "ainda tem a questão do estacionamento, da segurança". "Tem que se fazer tudo conforme os padrões da Fifa... não acredito em vexame não. Todos os eventos que a gente se propôs a fazer, a gente sempre fez muito bem. O Pan-Americano foi uma mostra do que pode ser feito", completou o atacante campeão mundial em 1994. Já Mario Jorge Zagallo, campeão mundial como jogador, técnico, e auxiliar-técnico, comemora a chance de o Brasil jogar um Mundial em casa depois de tanto tempo - o país sediou a Copa de 1950. Torcedor ferrenho da "amarelinha", Zagallo vê o sexto título mundial mais perto. "Das cinco Copas conquistadas, o Brasil não ganhou em casa. É o único (campeão mundial) que não ganhou em casa. Vamos ver se em 2014 repetimos o que os outros fizeram", disse. "Tem sete anos pela frente para construir estádios, principalmente no Nordeste, onde vai ter sede da Copa", acrescentou ele, sem querer entrar na discussão sobre de onde sairia o investimento. A administração do dinheiro, no entanto, preocupa a comentarista esportiva e vereadora por São Paulo Soninha Francine (PPS). A confirmação do Brasil como sede da Copa deixa a vereadora dividida. "Ao mesmo tempo que eu acho legal pela história que a gente tem no futebol, eu acho super temerário. Quando se fala de somas de dinheiro como o necessário para disputar uma Copa do Mundo e tudo que gira em torno dela, não tem como não temer pelo nosso histórico de corrupção no setor público, setor privado." Soninha criticou a organização do futebol brasileiro, citando dificuldades para comprar ingresso e entrar e sair dos estádios. Ela se disse a favor do investimento do setor público em infra-estrutura, mas não em reformas de estádios.

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