Arquivo/AE
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Sócrates lutou pela democracia no futebol e na política

Ele liderou a 'Democracia Corintiana' e participou do movimento 'Diretas Já'

estadão.com.br,

04 Dezembro 2011 | 08h06

Sócrates não era simplesmente um jogador diferenciado. Suas ideias extrapolavam e muito as quatro linhas do campo de futebol. Ainda no Corinthians, aproveitando o vento da democracia que começava a soprar no Brasil por volta de 1979, ele se engajou no movimento pela abertura política no País.

 

No clube criou a Democracia Corintiana, ao lado de Casagrande, Wladimir, Zenon, entre outros, e o diretor Adílson Monteiro Alves. Eles implantaram um novo modelo de gestão de um clube e, por tabela, do time de futebol. As concentrações foram abolidas. Havia liberdade na hora de se tomar decisões sobre as questões táticas, distribuição de prêmios, e até treinamentos.

 

Fora do campo, Sócrates foi um dos principais ativistas do movimento "Diretas Já", que pedia a volta imediata das eleições para presidente do Brasil. Participou de vários comícios. O mais marcante aconteceu no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, em abril de 1984. Diante de mais de 1, 7 milhão de pessoas, Sócrates anunciou: "Se a eleição direta para presidente passar, eu não deixo o Brasil para jogar na Itália." A multidão, eufórica, aplaudiu o jogador, que estava no palanque ao lado de Casagrande e locutor Osmar Santos e importantes lideranças políticas.

 

Na época, ele tinha uma proposta para jogar na Fiorentina, da Itália. A emenda constitucional que pedia a volta das eleições diretas para presidente acabou não passando no Congresso Nacional. Decepcionado com os políticos, Sócrates se transferiu para o clube italiano.

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