'Solução esparadrapo: cobre e não resolve o problema', diz sociólogo

Mauricio Murad fala sobre torcida única em São Paulo

O Estado de S.Paulo

05 de abril de 2016 | 07h46

A medida de permitir apenas uma torcida em clássicos em SP resolve?

Essa medida já foi tentada outras vezes. E não é eficaz porque hoje a maior incidência, mais de 80% dos conflitos, acontecem fora dos estádios. Isso assina em baixo a falência da segurança pública, punindo o justo pelo pecador.

É a solução "esparadrapo": cobre e não resolve o problema. É mais uma medida de desespero das autoridades em querer dar uma resposta

Há alguma explicação para este tipo de barbárie que acontece no Brasil?

As explicações são várias. Há explicações sociais, a violência em geral no Brasil cresceu muito. Agora há razões dentro do próprio futebol. Na multidão, os indivíduos têm a sensação que estão escondidos. Exatamente por isso precisam ser acompanhados e estudados, e as forças de segurança têm que ter um treinamento específico. Há um mal preparo das tropas nesse sentido.

O que as pesquisas sobre mortes no futebol mostram para a gente?

Somos os campeões mundiais em mortes de torcedores comprovadamente por conflitos de torcidas organizadas. Tivemos 71 mortes comprovadas em 2012, 2013 e 2014. Em 2015 tivemos 24 mortes, sendo quatro em processo de investigação. Em 2016, que mal começou, tivemos cinco óbitos comprovados. São números que assustam e as medidas tomadas são muito tímidas.

 

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