Ronald Wittek/EFE
Ronald Wittek/EFE

Sonhando com vaga, Austrália encara Peru em despedida com incertezas sobre futuro

Seleções se enfrentam em Sochi nesta terça-feira, às 11h, pelo Grupo C da Copa do Mundo

Leandro Silveira, enviado especial / Sochi, O Estado de S.Paulo

26 Junho 2018 | 00h00

Até agora coadjuvantes no Grupo C da Copa do Mundo da Rússia, Austrália e Peru se enfrentam nesta terça-feira em Sochi, às 11 horas (de Brasília), no Fisht Stadium, em um jogo vai além da chance de classificação às oitavas de final e de uma despedida vitoriosa da Rússia, respectivamente. Naquele que pode ser o último jogo das equipes no torneio, as seleções colocam, em meio a algumas dúvidas, o orgulho em jogo. 

+ Austrália confia na seriedade da França e espera fazer história com classificação

+ Goleiro australiano revela que levou 27 parentes para acompanhar a Copa na Rússia

+ Guerrero promete Peru com 'faca nos dentes' na despedida da Copa contra Austrália

Na tabela, a partida tem importância apenas para a Austrália. Afinal, enquanto os peruanos já estão eliminados, com duas derrotas, os australianos somaram um ponto contra a Dinamarca, que os faz sonhar com a vaga nas oitavas de final. Para isso, precisarão superar os peruanos e contarem com uma derrota dos escandinavos para a França, já classificada e com 100% de aproveitamento, em Moscou. "Estamos apenas concentrados na nossa equipe e no que precisamos fazer", assegurou o goleiro Mathew Ryan. 

A Austrália acredita que a França jogará com seriedade, ainda que só precise de um empate para garantir a liderança da chave, o que eliminaria a equipe da Oceania. Mas precisa fazer a sua parte. E, para isso, terá que melhorar o desempenho do seu setor ofensivo, que marcou dois gols na Copa, ambos em cobranças de pênalti convertidos por Jedinak. "É o último passo e nós trabalhamos duro nisso. Espero que possamos ver um resultado disso", disse o técnico holandês Bert van Marwijk, admitindo haver uma deficiência no setor ofensivo australiano. 

Para complicar a sua situação, a Austrália não poderá contar com o seu principal atacante, Andrew Nabout, que sofreu lesão no ombro durante o duelo com a Dinamarca. Van Marwijk preferiu não revelar quem será o escalado, mas tudo indica que apostará em Tomi Juric. A decisão dificultará uma tarefa que seria gloriosa se alcançada por Tim Cahill. O veterano atacante, de 38 anos, marcou gols nas últimas três edições da Copa do Mundo e tinha o objetivo na Rússia de atingir o feito pela quarta vez consecutiva.

 

Se o feito de Cahill se tornou mais difícil de ser alcançado, a meta australiana é mais tangível: se classificar pela segunda vez na história às oitavas de final da Copa, sendo que esta é a sua quinta participação, e atingir o status de heróis nacionais, assim como aquela equipe de 2006, que só parou em um pênalti convertido por Totti ao 50 minutos do segundo tempo para a Itália no primeiro mata-mata. "Se formos bem-sucedidos, ouso dizer que não apenas nós, como jogadores, mas esperamos que toda a Austrália, se lembre dessa conquista pelo resto de suas vidas", afirmou Ryan. 

Se este orgulho está a alguns passos de ser alcançado pela Austrália, a seleção peruana avalia já ter atingido o seu. Mesmo com duas derrotas, celebra a volta à Copa do Mundo após 36 anos, feito exaltado pelos estimados 20 mil peruanos que invadiram a Rússia nos últimos dias. 

A equipe está expõe a dor pela eliminação, especialmente por ter apresentado bom futebol nas derrotas para França e Dinamarca, mas garante estar satisfeita pela evolução em campo nos últimos anos. Só que uma vitória na despedida da Copa seria um cenário ideal para a conclusão da festa peruana fora de campo. Além disso, encerraria uma sequência de oito tropeços consecutivos na competição, série negativa iniciada ainda em 1978, com seis derrotas e dois empates nesse período. 

Além disso, o Peru sonha em ver o seu principal jogador marcar seu primeiro gol em Copas. Após enfrentar uma batalha jurídica em função de um caso de doping na reta final das Eliminatórias, Guerrero conseguiu uma vitória parcial, que permitiu a sua ida à Rússia, nas semanas que antecederam o Mundial. Mas ele, assim como sua seleção, passou em branco nos dois jogos iniciais e pode ter sua última chance nesta terça-feira, pois, hoje com 34 anos, não teria presença garantida na Copa do Cater, em 2022, caso os peruanos voltem a se classificar, embora ele garanta não pensar em aposentadoria. 

Ainda assim, voltará a ser julgado pelo seu caso de doping em breve, o que poderá deixá-lo afastado do futebol por mais algum tempo. "Eu me mantenho firme na luta pela minha carreira. Estou aqui hoje na Rússia e não sei se será meu último jogo de Copa do Mundo porque ainda sinto que posso jogar", afirmou o artilheiro peruano. 

A partida também pode ser a última do técnico Gareca à frente da seleção peruana, pois ele ainda não definiu a renovação do seu contrato. "Agora estamos focados no jogo, sabemos que depois que tudo estiver terminado, o contrato acabou e será hora de pensar. Mas hoje eu não tenho uma resposta, mais do que estar focado no jogo", desconversou. 

O técnico Ricardo Gareca fará duas alterações na equipe, que não poderá contar com o reserva Farfán, que deu um grande susto ao sofrer traumatismo crânioencefálico durante um treino, e o zagueiro Alberto Rodríguez, lesionado e que será substituído por Santamaría. Além disso, no meio-campo apostará em Renato Tapia, ao invés de Pedro Aquino. 

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.