Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians
Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians

Sotaque espanhol 'invade' o futebol brasileiro

Clubes do País se voltam com mais intensidade para mercado sul-americano e contratam jogadores talentosos por preços bastante acessíveis

Renan Fernandes, O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2019 | 04h30

Bienvenidos! O sotaque espanhol se faz cada vez mais presente no futebol brasileiro. Financeiramente mais fortes do que os de outros países da América do Sul, os clubes nacionais apostam com mais vigor em reforços garimpados no continente. Neste começo de ano, as 12 principais equipes do País contam com 47 “gringos” em seus elencos. O principal alvo são os colombianos, com 11, seguido pelos argentinos com 10 no mercado nacional. A lista ainda tem uruguaios (9), paraguaios (6) equatorianos (4) venezuelanos (2), chilenos (2), peruanos (2) – além de um costa-riquenho.

Essa “invasão” vem aumentado ano após ano. Em 2002, apenas cinco estrangeiros disputaram o Brasileirão. No começo da temporada 2012, esse número já havia pulado para 28, considerando-se só os 12 grandes. A abertura de mercado levou a CBF a mudar o regulamento de competições em 2014 e subir o número de “gringos” relacionados por jogo de três para cinco. 

Neste começo de ano, Internacional e Santos despontam como as equipes com mais jogadores de fora do Brasil. Os gaúchos somam sete e os paulistas, seis. No Paulistão, se todos os estrangeiros de Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos forem inscritos na lista de 26 nomes de cada equipe, 17 estarão aptos a disputar o torneio.

“A gente consegue ser muito maior que os outros mercados da América do Sul. Em termos de futebol, nosso concorrente seria a Argentina, mas somos muito maiores que eles hoje em termos financeiros. Temos domínio deste mercado”, explica o professor Fernando A. Fleury, PhD em gestão e sócio diretor da Armatore Market + Science, empresa especializada em monitoramento de mercado e análise comportamental do consumidor. 

Se a questão financeira é vantajosa em relação aos nossos vizinhos, a concorrência é injusta com os grandes mercados internacionais, como China e Europa. “Os times brasileiros precisam fazer caixa e o mercado internacional paga valores que para nós são muito altos. Então, temos vendido jogadores jovens e que poderiam ser talentosos para o mercado interno”, diz Fleury. Para ele, isso explica um pouco da saturação de talentos no Brasil e a aposta em mercados “mais baratos”. 

No entanto, as equipes precisam dar tempo para adaptação desses reforços, como já explicou o técnico Renato Gaúcho, do Grêmio. “O jogador que vem de fora e ainda não trabalhou no Brasil precisa de um tempo de adaptação maior para entender a forma de jogar do time, as características dos companheiros, a forma que o treinador gosta de trabalhar e o idioma. Isso dificulta um pouco mais.”

Foi isso o que disse o argentino Walter Montoya em sua chegada à equipe gaúcha: “É grande o futebol disputado aqui no Brasil, não é fácil, muito dinâmico, mas vou trabalhar para me adaptar rapidamente à equipe, ao futebol e a tudo aquilo que a comissão técnica me pedir”.

INFRAESTRUTURA E PRESTÍGIO

Novas arenas e centros de treinamento de primeira linha também aparecem como diferenciais para os clubes brasileiros na hora das negociações. “Espetacular. Tem de tudo, me surpreende cada vez que vou conhecendo mais as coisas e descobrindo a infraestrutura que tem o clube”, comentou o atacante argentino Mauro Boselli após conhecer o CT Joaquim Grava, do Corinthians.

Outro fator que pesa a favor do Brasil é o prestígio internacional das equipes, como demonstrou o venezuelano Yeferson Soteldo ao ser apresentado pelo Santos. “O Santos é um dos maiores clubes do mundo. Foi onde Pelé, o maior jogador da história do futebol, jogou. Também teve o Neymar, que é muito bom. É um sonho jogar neste clube.”

 

 

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