NILTON FUKUDA / ESTADÃO/ 16-7-2018
NILTON FUKUDA / ESTADÃO/ 16-7-2018

'Sou um goleiro tradicional, raiz. Não sou de dar piruetas'

Depois de ser terceira opção, Weverton virou titular, ficou nove jogos sem sofrer gols e deixou Jailson e Prass no banco

Entrevista com

Weverton - goleiro do Palmeiras

Ciro Campos e Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

02 Dezembro 2018 | 07h00

Weverton atualiza a tradição palmeirense de grandes goleiros. Ficou nove jogos sem levar gols e deixou os ídolos Jailson e Prass no banco de reservas. O segredo é a simplicidade. “Não faço piruetas. Sou um goleiro tradicional, raiz”, resume o goleiro de 30 anos. 

O que é ser titular de um time que teve tantos goleiros bons?

Esse foi um dos motivos para eu vir para o Palmeiras. É uma tradição no gol que está sendo mantida pelo atual elenco. Eu sabia que minha missão seria grande. Eu cheguei e encontrei dois ídolos (Jailson e Prass). Trabalho dobrado. 

Na prática, o que diferencia os goleiros do Palmeiras?

É um clube que forma grandes goleiros, mas que também prepara aqueles que chegam. Os três goleiros do elenco atual vieram de outros clubes. Aqui, todos foram campeões, um em cada ano. É muito difícil manter três goleiros de alto nível. 

Como fez para encarar esse desafio quando chegou?

Eu sacrifiquei parte das férias no ano passado, mas chegar em um estágio melhor. 

Você ficou frustrado por não ter sido titular assim que foi contratado?

Eu tinha a expectativa de jogar. Ficar como terceira opção frustrou meus planos. Mas eu sabia que tinha de treinar e trabalhar. Por outro lado, o fato de o Roger não ter optado por mim me ajudou a conhecer o clube, as pessoas e entender o comportamento da torcida. O Jailson foi um grande amigo desde o início. 

Como você conseguiu conquistar a posição?

Treino duro. Além disso, consegui diminuir meu peso, isso me ajudou a ser mais rápido e mais ágil. Meu padrão era 95 e 96 quilos. Consegui reduzir para 91 e 92 quilos. Foi ótimo. Foi uma mudança importante. 

Em alguns momentos da temporada, o Felipão usou times diferentes no Brasileirão e outro na Libertadores. Era uma zaga em cada jogo. Isso não atrapalha a vida do goleiro?

A princípio, foi um desafio. A parte defensiva é muito importante. Por outro lado, ter uma vaga sempre descansada foi garantia de atenção e tranquilidade. O Felipão teve méritos em escolher duplas que se encaixaram bem (Luan e Gustavo, além de Dracena e Antonio Carlos). Isso foi bom, pois todo mundo sabia que ia jogar. O goleiro tem uma situação diferente. Se ele joga menos, ele perde o ritmo, fica sem tempo de bola. Goleiro precisa jogar sempre. 

Como você se define?

Não sou aquele que dá pirueta. Sou um goleiro à moda antiga, um goleiro raiz. Prefiro apostar na defesa segura, no posicionamento. Quando eu faço a defesa segura, eu já estou pronto para fazer a reposição rápida e começar o ataque do time. Esse é um dos meus diferenciais. 

Em quais aspectos você ainda pode melhorar?

Estou chegando nos 30 anos. A partir de agora, eu preciso me cuidar ainda mais fisicamente para garantir a agilidade e a técnica. Quero jogar mais seis ou sete anos. 

O título brasileiro apaga a frustração pela queda na Libertadores e na Copa do Brasil?

Não. O Palmeiras não tem a obrigação de ganhar todos os títulos. Para ganhar os torneios, é preciso disputá-los. O Palmeiras está nesse caminho, sempre disputando a Libertadores, por exemplo. É questão de tempo para vencê-la. 

Depois de qual jogo você teve certeza do título?

Vários jogos mostraram que nós estávamos no caminho certo. Eram jogos em que precisávamos ganhar ou não podíamos perder. Acredito que o jogo com o São Paulo, no Morumbi, foi um divisor de águas. Tiramos um concorrente direto da briga e encerramos um jejum de 16 anos. Isso deu moral.

Você tem alguma mania?

Gosto de passar um óleo ungido nas luvas. Além disso, eu não troca as luvas enquanto estiver ganhando. São pequenas manias que me dão confiança nas partidas. 

Quais são os planos para 2019?

O projeto é a permanência no clube. Foi um ano de afirmação. Tive uma boa chegada, mas preciso dar continuidade. Jogando em um clube grande, a gente tem de jogar bem e ganhar títulos.

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