Evelson de Freitas/Estadão
Evelson de Freitas/Estadão

'Sou um milagre, por isso valorizo tudo no Palmeiras', diz Marcelo Oliveira

Volante explica motivo da boa fase no Palmeiras e fala como um drama pessoal fez ele amadurecer

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2014 | 04h55

SÃO PAULO - "O Marcelo Oliveira dá muito mais segurança para a equipe." Essa frase mostra o quanto Gilson Kleina confia no jogador, que retornará neste domingo ao time do Palmeiras após cumprir suspensão contra a Ponte Preta. Marcelo seria volante contra o Santos, mas o treinador mudou os planos e ele vai mais uma vez ser zagueiro. Em entrevista exclusiva ao Estado, o jogador fala sobre a boa fase com a camisa do Palmeiras, lembra dramas do passado, pede reforços no Brasileiro e diz que espera ficar no clube por muitos anos. 

Como o Palmeiras está para essa sequência de jogos decisivos?

MARCELO OLIVEIRA: Estamos totalmente preparados e o que a gente está fazendo mostra isso. A confiança e entrosamento aumentam conforme acontecem as vitórias. O mais importante é que se acontecer uma derrota, não podemos achar que é o fim de tudo.

Acha que precisa de reforços para o Campeonato Brasileiro?

MARCELO OLIVEIRA: Temos uma base do ano passado e isso ajuda muito. O nosso começo de campeonato surpreendeu muita gente, porque estávamos vindo da Série B. O time é forte, mas nunca é demais ter reforços. O Brasileiro é uma competição diferente, com times que têm uma qualidade enorme. Todo jogo é difícil e reforços vão nos ajudar muito.

Como avalia sua evolução no Palmeiras?

MARCELO OLIVEIRA: Quando cheguei, o primeiro semestre foi bom, porque disputei o Paulista e a Libertadores, mas fiquei a maior parte da Série B no banco de reservas. No começo desse ano comecei como volante e aproveitei a oportunidade. Fui fazendo grandes partidas e isso foi dando confiança para mim e para o Kleina, que viu que poderia contar comigo.

Acredita que a sua versatilidade pode atrapalhar no sentido de você ganhar destaque em uma determina posição?

MARCELO OLIVEIRA: Bom, nesse campeonato eu atuei quase sempre como zagueiro, então podem me colocar assim (risos). Se eu conquistar algum prêmio individual, ficarei feliz, mas o foco é o título. Sobre essa facilidade para jogar em várias posições, foi algo natural e não vejo como negativo. Quando você joga em mais de uma posição, consegue manter regularidade.

A grave lesão que você teve no joelho, em 2007, atrapalhou muito sua carreira?

MARCELO OLIVEIRA: Difícil falar. Hoje, sou feliz e o que aconteceu, era para acontecer. Eu estava em um momento bom no Corinthians e acabei me machucando. Pouca gente sabe, mas foi ali que busquei Deus. Casei, me consertei e muita coisa aconteceu nesse tempo em que fiquei sem jogar. Agradeço por ter acontecido tudo isso. Só eu sei o que passei. Foram um ano e dez meses que fez eu dar mais valor a tudo que tenho hoje. Por isso me dedico em cada treino e cada jogo. Poder levantar da cama sem sentir dor alguma é uma bênção.

Você falou que se consertou. Você tinha se deslumbrado por ser jogador do Corinthians?

MARCELO OLIVEIRA: A questão nem era essa. Eu era tranquilo, nunca fui de noite e de beber. Mas é que depois que você passa por uma dificuldade como eu passei, de correr o risco de abandonar o futebol com 20 anos, você dá mais valor a tudo que vive. Durante a recuperação, tive uma infecção hospitalar e eu encontrava pessoas nas ruas que me falavam que também tinham sofrido aquilo e estavam com um sapato especial, com uma espécie de salto, porque haviam ficado com uma perna menor do que a outra. Tenho que agradecer muito por estar aqui, jogando, em um clube enorme. Sou um milagre de Deus. Por isso que dou valor a tudo. Não tem como entrar em campo e não dar o meu máximo.

Pensou em desistir?

MARCELO OLIVEIRA: Quando tive a infecção, fiquei com 40 graus de febre, perna inchada e eu não sabia o que estava acontecendo. Fiquei sabendo depois, todos os riscos que corri. Tinha dia que eu ficava mais para baixo, afinal de contas, eu via meu joelho atrofiado. Mas a fé me ajudou a voltar aos gramados.

Você usa tudo isso para te motivar nos dias atuais?

MARCELO OLIVEIRA: Com certeza. A responsabilidade atual é muito grande. Não que uma derrota eu não me importe, ou ache que é uma coisa pequena, mas para quem já passou tudo que passei, nada pode me derrubar. Estou muito mais forte para enfrentar qualquer coisa hoje em dia. 

Ainda lembram que você começou no Corinthians?

MARCELO OLIVEIRA: Não. Só quando encontro alguns corintianos, pois eles pedem para eu voltar (risos). Quando cheguei, sabia que iria lembrar do meu passado caso eu não jogasse bem. Mas felizmente não tenho problema em relação a isso.  

Tem contrato até dezembro com o Palmeiras. Já pensa em ficar, ou é muito cedo para isso?

MARCELO OLIVEIRA: Claro que minha cabeça é ficar no Palmeiras. Fui muito bem recebido aqui e meu contrato com o Cruzeiro também termina em dezembro, então fico livre. Mas vamos ver o que acontece.

Tudo o que sabemos sobre:
PalmeirasFutebol

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.