S.Paulo quer pôr fim à hegemonia argentina

O São Paulo tem, amanhã, chance de frear a hegemonia dos argentinos, que, em 2003, levaram vantagem em todas as disputas contra brasileiros. Diante do River Plate, às 21h50, no Morumbi, o time busca vaga na final da Copa Sul-Americana e o rótulo de primeira equipe do País a eliminar uma agremiação rival da América do Sul no ano. Por que o Brasil, pentacampeão mundial, virou saco de pancadas dos argentinos, duas vezes vencedores da Copa do Mundo? As respostas acabam caindo no mesmo lugar. Os vizinhos são mais aplicados taticamente, determinados... "Os argentinos são dedicados à parte tática, mais disciplinados, embora o nível técnico não seja superior ao nosso", opinou Rogério Ceni. "Eles põem a alma dentro de campo, têm raça, determinação, e isso falta para o brasileiro", completou o técnico Roberto Rojas. O baile dos argentinos na temporada começou logo em janeiro, quando, no Sul-Americano Sub-20, conquistaram o título. O Brasil ficou com o vice. O mesmo ocorreu no Pan-Americano, em agosto. Na Taça Libertadores, o Corinthians ficou na roda contra o River Plate, nas oitavas-de-final. Foi derrotado em Buenos Aires e em São Paulo por 2 a 1. O Paysandu, que conseguiu vitória histórica contra o Boca Juniors por 1 a 0 no La Bombonera, apanhou por 4 a 2 no Pará e acabou eliminado nas oitavas-de-final. O mesmo Boca acabou com o sonho do Santos de conquistar o terceiro título de Libertadores. Depois de ganhar por 2 a 0 em casa, os argentinos asseguraram o título com novo triunfo no Brasil - 3 a 1. A história envolvendo o São Paulo não é muito diferente, mas ainda pode mudar. Jogando em Buenos Aires, na semana passada, o time foi sufocado pelo River e perdeu por 3 a 1, sem desculpas. Agora, resta a possibilidade de reverter o placar no Morumbi. Terá de fazer 3 gols de diferença para garantir lugar na final, que será a segunda do ano - chegou à decisão do Paulista, na qual foi derrotado pelo Corinthians. Se conseguir vantagem de 2 gols, a decisão será nos pênaltis. Para tanto, Rojas resolveu deixar de lado o retrancado esquema das últimas semanas. Utilizará dois atacantes, Luís Fabiano e Diego Tardelli, e dois atletas na armação, Souza e Gustavo Nery. "Temos de jogar bem melhor que na Argentina para conseguir o resultado", profetizou. "Precisaremos marcar bastante para impedir que eles joguem." Como não poderia deixar de ser, o elenco treinou insistentemente cobranças de pênalti. "Vamos tentar evitar os pênaltis, mas, se não der, estaremos preparados." Os jogadores usaram a mesma conversa de sempre: será fundamental evitar a catimba argentina. Mas, como diz Rogério, "vai ganhar quem jogar mais bola". E só. O River corre o risco de entrar em campo sem seu principal jogador. O meia Marcelo Gallardo, autor de dois gols no primeiro confronto, está contundido na coxa esquerda e pode ficar fora. A equipe portenha deverá explorar os contra-ataques.

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