WILTON JUNIOR / ESTADAO
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Caboclo é afastado em definitivo e CBF convoca eleição; STJ ordena nomeação de diretor mais velho

Por 26 votos a zero, cartolas de federações decidem por mais 20 meses de punição contra o presidente afastado, que não concluirá mandato

Marcio Dolzan / RIO, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2022 | 15h54
Atualizado 24 de fevereiro de 2022 | 20h02

Por 26 votos a zero, Rogério Caboclo foi punido nesta quinta-feira com mais 20 meses de suspensão, e, com isso, está afastado definitivamente do comando da CBF. Agora, uma nova eleição será convocada e um novo presidente será eleito. Até o início da noite dessa quinta, porém, havia incerteza se o pleito a ser convocado será para um mandato tampão - que iria até abril do próximo ano -, ou para escolher um novo presidente para um quadriênio que se iniciaria já em 2022.

Isso porque, ao mesmo tempo em que os cartolas se reuniam na sede da CBF, na zona oeste do Rio, para tirar Caboclo definitivamente de cena, em Brasília o ministro Humberto Martins, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), determinava que entidade deveria nomear para a presidência o mais velho de seus diretores.

Apesar de afetarem diretamente o comando da CBF, a motivação das duas decisões são distintas. A Assembleia Geral convocada pela confederação visava ratificar um parecer da Comissão de Ética da CBF que suspendeu Caboclo por mais 20 meses. Já a decisão do ministro Humberto Martins reconsiderou em parte uma decisão proferida no início de dezembro do ano passado. Trata-se de uma ação movida pelo Ministério Público do Rio (MPRJ) que contesta a alteração no estatuto da CBF que modificou os critérios para escolher seu presidente - e que serviu justamente para eleger Caboclo em 2018.

VACÂNCIA

Com o afastamento definitivo de Caboclo, o cargo de presidente da CBF ficou vago. Pelo estatuto, quem deveria assumir seria o coronel Antônio Carlos Nunes de Lima - sempre ele -, por ser o mais velho dos oito vice-presidentes. Nunes, porém, está em licença-médica. O próximo da linha de sucessão seria o segundo mais velho, Antônio Aquino, mas o dirigente abriu mão em favor de Ednaldo Rodrigues.

Agora, Ednaldo Rodrigues teria 30 dias para convocar uma eleição para a escolha de um novo presidente até abril do ano que vem. A escolha seria feita exclusivamente entre um dos oito vices.

Ocorre que, a menos que a CBF consiga derrubar a decisão de Humberto Martins, o pleito que elegeu Caboclo em 2018 - e, portanto, todos os seus oito vices - será considerado inválido. Nesse caso, a nova eleição a ser convocada servirá para escolher toda uma nova diretoria.

Até o início da noite, a CBF não se manifestou sobre a decisão do STJ sob a justificativa de que não foi comunicada. Quando isso acontecer, a entidade talvez responda a outro imbróglio: quem é seu diretor mais idoso, Oswaldo Gentille ou Carlos Eugênio Lopes.

Gentille, ou Dino, como é conhecido, é diretor de Patrimônio, enquanto Carlos Eugênio Lopes é vice-presidente Jurídico. Apesar de ser mais velho que Dino e estar na entidade desde a década de 1980, o cargo de vice-presidente Jurídico não consta no estatuto da CBF. Além disso, Lopes é um dos advogados que defendem a confederação nessa ação.

A assembleia que reuniu dirigentes das 26 federações estaduais foi convocada para votar o parecer da Comissão de Ética da CBF que pedia nova suspensão a Rogério Caboclo. Afastado de suas funções em setembro do ano passado até março do ano que vem, o cartola acabou punido nesta quinta por mais 20 meses, período que ultrapassa o prazo de seu mandato, previsto até abril de 2023.

Dirigentes estaduais que participaram da Assembleia Geral disseram que, após a votação, o presidente em exercício, Ednaldo Rodrigues, anunciou a nomeação de um novo diretor na CBF. Ninguém, contudo, soube dizer seu nome e para qual diretoria. Também não souberam dizer se o novo nomeado era mais velho que os atuais. A CBF não se pronunciou, e Ednaldo saiu sem ser visto.

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