Wilton Júnior/Estadão Conteúdo
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STJD derruba liminar que garantia público ao Flamengo; rodada do Brasileirão está mantida

Poucas horas após colocar cerca de 6.500 pessoas no Maracanã pela Copa do Brasil, time carioca fica impedido de mandar jogos com torcida em jogos da Série A

Redação, Estadão Conteúdo

16 de setembro de 2021 | 09h03

Foi derrubada a liminar que garantia a presença de público em jogos do Flamengo no Campeonato Brasileiro. Na madrugada desta quinta-feira, o vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) e relator do caso, Felipe Bevilacqua, concedeu efeito suspensivo sobre a medida, com julgamento no Pleno do tribunal marcado para o próximo dia 23.

O Flamengo informou que vai respeitar a decisão e aguardar a reunião do conselho técnico de clubes da Série A, no dia 28, para se manifestar. A liminar, concedida no início de agosto, causou um racha entre o o clube rubro-negro e as demais equipes do Brasileirão ao longo das últimas duas semanas. Os cariocas obtiveram autorização da Prefeitura do Rio de Janeiro para ter a presença parcial de público em três jogos no estádio do Maracanã, que foram classificados como eventos-teste.

O primeiro deles aconteceu nesta quarta-feira: a vitória do Flamengo por 2 a 0 sobre o Grêmio, pela rodada de volta das quartas de final da Copa do Brasil, que levou a equipe comandada pelo técnico Renato Gaúcho às semifinais contra o Athletico-PR.

Com o entendimento geral de que a liberação de público deveria acontecer de forma simultânea a todas as equipes da elite nacional, os clubes e CBF tentaram derrubar a decisão favorável ao rival rubro-negro de diversas formas. De um grupo de 17 agremiações — não assinaram o Flamengo, o Atlético-MG e o Cuiabá Partiram dois recursos pedindo a revisão da decisão ao STJD. Em ofício encaminhando à CBF, os clubes ameaçaram paralisar a rodada do Brasileirão neste final de semana.

Com a decisão de Bevilacqua, os efeitos da liminar estão suspensos até o próximo dia 28, quando os clubes voltam a se reunir em Conselho Técnico da CBF. "Diante do caráter de urgência ante a possível violação à legislação federal posta e consubstanciado nas inúmeras petições e manifestações dos autos, bem como tratando-se de matéria com escopo relevante e que traduz, em análise perfunctória, probabilidade de dano de difícil ou incerta reparação com a iminente não realização da rodada deste próximo final de semana, concedo parcialmente o efeito suspensivo ativo vindicado, para o fim de afastar parcialmente os efeitos da medida liminar concedida nestes autos até a reunião do conselho técnico, este a ser realizada no próximo dia 28 de setembro", disse trecho da decisão.

O Atlético-MG ainda não se manifestou. O Cuiabá, por meio de nota enviada ao Estadão, seguiu a linha do Flamengo e espera que a partir de outubro o público possa voltar aos estádios na Série A.  

"A decisão da suspensão do público até o dia 28 de setembro foi acertada, mas esperamos que a partir da rodada do dia 2 de outubro a gente possa receber público. Não vemos mais sentido nenhum que não haja torcida nos estádios. Acho que é um assunto superado. Todos os segmentos da nossa sociedade estão reabertos, e os cuidados e condições sanitárias por parte de clubes e federações existem e são rígidos. O que falta agora é um entendimento para que se comece a liberar uma porcentagem mínima."

O médico Jorge Pagura, presidente da Comissão de Médicos da CBF, disse ao Estadão que é favorável ao retorno do público aos estádios "desde que com critérios bem estabelecidos". A entidade divulgou em agosto o documento “Protocolo de Recomendações para Retorno do Público aos Estádios”, explicando como será feita a volta das torcidas aos estádios de futebol. 

Sobre a decisão do STJD, ele comentou. "É mais uma decisão jurídica e de manutenção de equilíbrio técnico do que médico. É claro que um retorno com isonomia é o mais justo, mas é uma decisão dos clubes. Da nossa parte é colaborar com um retorno o mais seguro possível para todos. As atuações com sinergia de ações entre todos os envolvidos só traz benefícios.

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