STJD não teme disputa na Justiça Comum

O Campeonato Brasileiro de pontos corridos (ou recorridos na Justiça Esportiva) está sob ameaça. A perda de quatro pontos do Paysandu esta semana, por causa da escalação supostamente irregular de três atletas, alterou a tabela de classificação. E a confusão vai continuar. O clube paraense deve ser punido novamente, com a reversão dos pontos de outros jogos, e o Goiás vai ter de defender no Tribunal a sua invencibilidade no returno - o atacante Grafite estaria atuando sem condição legal e, por isso, há sete recursos no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) de clubes interessados em ganhar dos goianos no Tapetão o que não conseguiram em campo. O presidente do STJD, Luiz Zveiter, não teme que a disputa, na fase final, fuja do controle da esfera esportiva. Ele cita uma liminar concedida pela 1ª Vara Cível do Fórum da Barra da Tijuca, na semana passada, como principal aliada do STJD. ?Esta liminar obriga a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) a cumprir todas as decisões do STJD e torna inútil ação de clubes ou ?laranjas? na Justiça Comum." Paysandu e Goiás, dois clubes de pouco prestígio na Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e hoje no centro do turbilhão que põe em xeque o campeonato, chegaram ao ponto de protagonizar uma situação inusitada. Em 10 de agosto, disputaram jogo em Belém, cada qual com os atletas cuja documentação está sendo questionada na Justiça. A partida terminou empatada por 2 a 2 e somente o Goiás atentou para a possibilidade de conquistar mais dois pontos no tribunal. Enquanto a diretoria do Paysandu cochilou, a do adversário recorreu. Só que fora do prazo. Portanto, pela inércia de ambos, vai prevalecer mesmo o 2 a 2. Ao clube paraense resta agora uma alternativa, pouco promissora: tentar em segunda instância recuperar os quatro pontos perdidos (um de empate com o Corinthians e outros três de vitória contra a Ponte Preta). O novo recurso será julgado pelos auditores do STJD e a derrota é praticamente certa, uma vez que houve unanimidade na votação da 2ª Comissão Disciplinar do Tribunal: o Paysandu perdera por 4 a 0. Se não quiser descer ladeira a baixo na tabela - ainda deve ser punida com a reversão dos pontos do empate com o Fluminense e da vitória sobre o São Caetano -, o Paysandu vai ter de deixar fora os três atletas, Aldrovani, Borges Neto e Júnior Amorim, até que uma nova documentação seja enviada à CBF - neste caso, avalizada por outro dirigente do clube, que não seja Artur Tourinho, o presidente-pivô da confusão, por ter ignorado suspensão imposta pelo STJD ao assinar papel de transferência dos três jogadores. Em Belém, muitos torcedores do Paysandu se sentem traídos por Tourinho e exigem sua renúncia.

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