STJD pode interpelar presidente do Flu

Os erros de arbitragem contra o Fluminense nas rodadas iniciais do Campeonato Brasileiro levaram o presidente do clube, David Fischel, a dar uma declaração surpreendente, após a derrota para o São Paulo por 1 a 0, na noite de quarta-feira. Perguntado sobre que providência o Tricolor poderia tomar para evitar novos prejuízos, ele não conteve sua indignação e deu uma resposta incomum. "Matar o Armando Marques talvez, né? Só isso. Por que o que se pode fazer?, reagiu, referindo-se ao presidente da Comissão de Arbitragem da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Marques ficou contrariado com a declaração do dirigente do Fluminense, mas preferiu não tocar no assunto publicamente. O fato, porém, não deve passar despercebido pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). O procurador do tribunal, Lindolfo Moraes, vai analisar o caso e pode interpelar Fischel. "Às vezes, uma declaração impensada cria uma situação de apologia à violência. Quando um dirigente se manifesta dessa forma, pode provocar conseqüências." Nas três primeiras rodadas do Brasileiro, o time carioca foi prejudicado claramente pela arbitragem em todos os jogos - perdeu por conta desses erros cinco pontos no total. Na estréia, quando vencia o Paysandu por 3 a 2, o juiz Orlando Magno dos Santos marcou um pênalti inexistente para o time da casa, aos 50 minutos do segundo tempo. O lance culminou no empate. Na partida seguinte, em que o Fluminense empatou por 1 a 1 com o Coritiba, no Maracanã, o meia Roger foi nitidamente derrubado na área, mas o árbitro Jamir Garcez ignorou a falta. Na derrota ontem para o São Paulo, por 1 a 0, no Morumbi, o bandeira Vágner Vicente anulou erradamente o gol de empate do Fluminense, assinalado pelo atacante Marcelo, aos 44 minutos do segunto tempo. O Fluminense ocupa hoje a 18ª posicão na competição, após dois empates. Somando os pontos perdidos (5), o Tricolor conquistaria a vice-liderança, contabilizando 7 pontos - atrás somente do invicto Figueirense, líder isolado da competição com 9 pontos. A reclamação no Fluminense é geral. O técnico Ricardo Gomes, mais comedido que Fischel, protestou com veemência e pediu uma atitude firme da diretoria. Gomes também tem outra dor de cabeça. Contornar o mal-estar causado pela reação de Edmundo, ao ser substituído na etapa final do jogo com o São Paulo. "Eu nunca saí na minha vida e chega esse treinador aí ... em três jogos, três substituições na metade da partida, não posso ficar satisfeito", disse o atacante. O treinador afirmou que vai continuar promovendo as alterações quando as considerar necessárias, indiferente a protestos.

Agencia Estado,

29 de abril de 2004 | 18h31

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