STJD põe Brasileiro sob nova ordem

A Série A do Campeonato Brasileiro passou a ter nova ordem desde este domingo pela manhã. Sob a justificativa de que pretendia evitar ?dano maior? do que já havia sido provocado por atitudes ilegais do ex-árbitro Edilson Pereira de Carvalho, o presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STD), Luiz Zveiter, mandou repetir 11 jogos da competição colocados sob suspeita de manipulação. A CBF foi avisada da medida radical e já marcou datas para 8. Outros três dependerão da tabela da Copa Sul-Americana, pois Corinthians, Fluminense e Inter estão no torneio continental e também foram incluídos no pacotaço local. A medida aparentemente devolve transparência ao campeonato, prejudicada pela atuação de máfia que interferia em resultados de algumas partidas para beneficiar-se em apostas realizadas em sites especializados. Edílson era o encarregado de acomodar, dentro de campo, os interesses dos apostadores. Em troca, recebia entre R$ 10 mil a R$ 15 mil por colaboração. ?A decisão (da repetição dos jogos) é o que de menos traumático a Justiça esportiva poderia fazer neste momento?, disse Zveiter, durante entrevista ontem no salão de festas do prédio onde mora, em Niterói.Zveiter e três auditores do STJD acompanharam parte das investigações da Polícia Federal e do Ministério Público de São Paulo sobre o escândalo na arbitragem. Eles chegaram à conclusão de que não havia nenhuma garantia de que algumas partidas sob o comando de Edílson pudessem estar fora de esquema de corrupção. O presidente do STJD explicou que a outra comissão criada pelo tribunal, com ex-árbitros, considerou evidências de contaminação dos 11 jogos sem precisar verificar o teipe de cada um.A reviravolta na tabela ? o Corinthians, por exemplo, perdeu para Santos e São Paulo e pode ser beneficiado ? não foi aceita com simpatia pelos clubes. Há divergência tanto dos 15 que se viram envolvidos nas falcatruas, como nos 7 restantes. ?Vem uma confusão muito grande por aí?, ponderou Márcio Braga, presidente do Flamengo. O dirigente disse que não está feliz nem triste com o tapetão, mas deu a entender que recorrerá à Justiça Comum, se sentir que, ao final, foi prejudicado. Atitude que ser o caminho para outras equipes.O risco de conflito existe, porque Zveiter repetiu várias vezes que o STJD não vai tolerar discussões fora da área esportiva. A ameaça é de suspensão de quem quebrar as regras do jogo. Nem todo mundo parece disposto a aceitar passivamente eventual rebaixamento ou a perda do título por causa da repetição desses jogos truncados. MUDANÇAS - Se mais nada de anormal acontecer, os jogos sob suspeita serão disputados com portões abertos e sem cobrança de ingresso ? determinações também anunciadas por Zveiter, que estranhou que a coincidência de já estarem publicadas no site da CBF desde a noite de sexta-feira. ?Quem decidiu foi o STJD e não a CBF?, avisou. ?E quem está anunciando agora é o STJD.? Zveiter esclareceu que atletas sem condições legais de atuar nas partidas anuladas continuarão ausentes, quando houver a repetição. O presidente do STJD acrescentou que os reforços contratados após os jogos impugnados poderão atuar normalmente. Além disso, o tribunal vai desconsiderar os cartões aplicados anteriormente. ?Claro que quem foi expulso lá trás já cumpriu suspensão, assim como o atleta que recebeu três cartões amarelos. Eles já ficaram no prejuízo. Mas, para efeito de reincidência, de julgamentos futuros no tribunal esportivo, não serão levados em conta os cartões recebidos por esses jogadores naquelas ocasiões.?

Agencia Estado,

02 de outubro de 2005 | 18h39

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