STJD vai investigar convocação de Leomar em 2001

Tribunal suspeita que propina tenha sido paga para que jogador chegasse à seleção brasileira

BRENO PIRES, Agência Estado

12 de março de 2013 | 10h09

SÃO PAULO - O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) anunciou que vai investigar um possível pagamento de propina para que o ex-jogador Leomar fosse convocado para a seleção brasileira em 2001, época em que defendia o Sport.

O presidente do STJD, Flávio Zveiter, abriu inquérito na última segunda-feira para apurar as declarações do presidente do Sport, Luciano Bivar, que assumiu na última sexta-feira ter pago um valor para colocar o ex-volante rubro-negro na seleção, então treinada pelo técnico Emerson Leão.

O procurador Paulo Schmidt fez o requerimento da investigação e afirma que é preciso haver punição caso seja comprovado o ato ilícito de corrupção. Tanto Luciano Bivar como Leão serão interrogados sobre o caso. Quem também será ouvido é o técnico Antônio Lopes, que era coordenador de seleções da CBF na época.

Na última sexta-feira, Bivar disse ter pago a alguém da CBF para que o volante Leomar fosse convocado para a seleção brasileira que disputou a Copa das Confederações em 2001. Depois, diante da repercussão do caso, afirmou ter fornecido uma quantia em dinheiro a um lobista. Questionado no mesmo dia sobre o assunto, Leão afirmou não terem cabimento as declarações do dirigente, mas reconheceu que a denúncia deve ser investigada a fundo.

Bivar, que foi candidato à presidência da República em 2006, soltou a polêmica sobre Leomar em entrevista à Rádio Transamérica do Recife. Na ocasião, ele chegou a dizer: "Você precisa ter cuidado com executivos de futebol, porque muitos chegam ao clube para realizar negócios e não para ajudar o clube. Eu empurrei um jogador para a seleção pagando comissão. Foi na época de Leomar". Em seguida, porém, o dirigente recuou: "Não vou falar o nome (de quem recebeu a comissão), não vou levantar defunto".

Pressionado, o atual presidente do Sport, que também estava no comando do clube em 2001, resolveu alterar sua versão sobre o caso com o objetivo de minimizar o efeito de suas declarações anteriores. "Todo mundo faz lobby no futebol brasileiro. Pergunte a Felipão, por exemplo, quantos procuradores ligaram a ele pedindo para que alguém fosse convocado. Essa é a realidade do futebol brasileiro. Com o Leomar, houve o pagamento para um lobista", disse.

Questionado sobre a denúncia de Bivar, Leão desafiou o dirigente a revelar quem recebeu a suposta propina pela convocação de Leomar. "Ele falou besteira e agora deve ser apertado para dizer quem foi (que recebeu o dinheiro). Vai ter de provar, embora já tenha corrido daquilo que disse inicialmente", disse o comandante.

Hoje desempregado, Leão ainda assegurou não ter conhecimento de qualquer prática ilícita durante as convocações que fez enquanto treinador da seleção, enfatizando que costumava entregar a lista de convocados duas horas antes da divulgação para Antônio Lopes. "Ele (Lopes) é uma pessoa de altíssima honestidade, inclusive é delegado. Ninguém tinha acesso. Nem o presidente da CBF (na época, Ricardo Teixeira)", destacou.

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