Jhonathas Silva/ESPN
Jhonathas Silva/ESPN

Streaming cresce em jogos ao vivo no Brasil

Atentas ao mercado, emissoras inovam a maneira de transmitir partidas na telona e começam a criar pacotes individualizados para celulares e smart TVs

Felipe Laurence, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

28 Outubro 2018 | 05h00

A crise econômica do Brasil e as modificações nos hábitos de consumo de quem vê televisão estão mudando a forma de transmissão esportiva. Antes restrito às séries e filmes, cada vez mais brasileiros usam o celular para acompanhar jogos dos seus times. Dois dados ajudam a explicar a busca dos canais esportivos por novos meios de transmissão: pesquisa Ibope Conecta no início do ano mostrou que 97% do público tem o hábito de usar algum serviço de streaming de vídeo; e levantamento da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que regula o mercado de televisão por assinatura no Brasil, aponta uma queda leve, mas constante, nas assinaturas desde 2016. 

“O que me chama a atenção é o quanto esse mercado de streaming esportivo está atrasado em relação aos outros”, diz Arthur Igreja, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV). “Esporte é tão valorizado que as operadoras conseguem vender assinaturas de TV à cabo, pacotes de canais extras e, agora, mobilidade só com isso. Mas se você olha toda essa cadeia, descobre que o que a pessoa queria mesmo era essa parte final: o streaming, a mobilidade de assistir de onde estiver”, completa Igreja, pontuando que as próprias operadoras e canais de TV estão criando plataformas para a transmissão via streaming dos seus conteúdos esportivos.

Após um momento inicial em que os canais ofereciam o streaming atrelado a uma operadora ou assinatura de TV, agora eles começam a oferecer pacotes exclusivos para a internet. A ESPN, em acordo com o portal UOL, criou o ESPN Play, serviço com transmissões de partidas esportivas ao vivo e conteúdo on-demand, sem a necessidade da assinatura dos canais da TV. É um outro produto. O Fox Premium, serviço de streaming dos canais Fox, onde são transmitidos jogos da La Liga, o Campeonato Espanhol, também pode ser contratado de maneira individual e independente. A Rede Globo, detentora dos direitos do Brasileirão, começou a ofertar o Premiere Play agora sem a necessidade da assinatura do canal pago de televisão. 

Para Marcello Zeni, vice-presidente de afiliadas da Disney e ESPN, essa mudança na estratégia de oferta do streaming dos canais é parte do processo de entender o consumidor e seus anseios. “O fã do esporte deseja ter essa liberdade e ter a opção de buscar seu time ou esporte favorito em qualquer lugar e na hora que desejar, independentemente se é só uma notícia ou transmissão por streaming.” 

Zeni afirma que o desafio é saber como ofertar esse streaming de modo que ele não crie uma alienação no consumidor. “Se todo mundo começar a ofertar, daqui a pouco o próprio cliente não vai saber o que comprar e não vai ter dinheiro suficiente para pagar”, exemplifica. 

O caso do Esporte Interativo, que transmite a Liga dos Campeões, é diferente. A rede fechou seus canais lineares no início de 2018 para focar em um serviço totalmente via streaming. Apesar de alguns jogos serem transmitidos em outros canais da marca, a maioria é veiculada por streaming na plataforma EI Plus. 

Outras plataformas

Empresas de tecnologia também estão de olho nesse mercado de transmissões esportivas por streaming e começam a investir pesado em eventos para aumentar sua presença no segmento. 

“Temos uma comunidade de mais de 700 milhões de fãs de esportes no Facebook com uma ampla gama de interesses. Por isso, estamos sempre explorando vários esportes que fazem sentido para cada audiência em particular”, diz Leo Cesar, líder de parcerias em esportes para a América Latina do Facebook. “O objetivo do Facebook não é virar mais um canal de esportes. Em todos os negócios que fizemos no mundo inteiro, o conteúdo que adquirimos vive sempre na página de algum parceiro relevante”, completa.

A primeira iniciativa do Facebook no setor foi um acordo feito com a Conmebol para a transmissão por quatro anos de jogos da Copa Libertadores na rede social no Brasil e em outros nove países da América Latina a partir de 2019.

“Fizemos apostas estratégicas no Brasil com a Liga dos Campeões e a Copa Libertadores. Além disso, temos uma série de acordos importantes com clubes e ligas que têm usado a nossa plataforma como uma alavanca para gerar oportunidades de negócios, como a Liga Nacional de Basquete (LNB). Esses esforços refletem nosso compromisso de levar conteúdo esportivo ao vivo para os fãs no país”, diz Cesar.

Três perguntas para Fábio Medeiros, vice-presidente de Esportes da Turner

1. Como o Esporte Interativo enxerga o mercado de streaming?

À medida que as pessoas passaram a ter acesso à banda larga, passou a ser natural que o conteúdo esportivo – que tem um grande valor ao vivo – também fosse explorado nessas plataformas.

2. O problema na velocidade da internet brasileira ainda é um desafio? 

Temos visto uma evolução grande no consumo de banda larga e também na qualidade do sinal. Eventualmente, percebemos problemas e tentamos alternativas com as plataformas a fim de melhorar a experiência dos fãs. 

3. Existem diferenças entre transmitir um evento esportivo para a televisão e para a internet?

A tendência é que a interatividade nas transmissões via streaming seja ainda mais intensa e direta e que a conexão com o narrador e com o comentarista seja também mais próxima.

 

 

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Aplicativo DAZN aplica quase R$ 1 bilhão por ano no boxe

Empresa do Perform Group tem forte presença em várias empresas no exterior

Wilson Baldini Jr., O Estado de S.Paulo

28 Outubro 2018 | 05h00

Num futuro próximo, é bem provável que quem quiser acompanhar os maiores eventos do esporte mundial tenha de baixar o aplicativo da DAZN, empresa que faz parte do Perform Group, uma britânica de serviço de streaming. Desde agosto de 2016, o grupo atua intensamente na Áustria, Alemanha, Japão e Suíça. Em agosto, os alvos foram Estados Unidos e Itália.

Futebol (Alemão, Inglês, Italiano e Espanhol), tênis, basquete (NBA), futebol americano (NFL), beisebol, hóquei no gelo (NHL), esportes a motor (motovelocidade, F-1 e outros), rúgbi, lutas e críquete são algumas modalidades que a DAZN já possui direitos de transmissão em pouco mais de dois anos de atividades. São cerca de 8 mil eventos por temporada, supervisionados por 300 funcionários.

Os Campeonatos Brasileiros da Série A e B são atrações nos países em que a DAZN faz suas transmissões. Só para se ter uma ideia, o boxe é um dos esportes que possuem maior investimento da empresa. Em maio, o executivo John Skipper foi contratado da ESPN americana para liderar as negociações com os agentes da modalidade. Ele chegou com um cacife monstruoso. Nos próximos oito anos, serão investidos US$ 251 milhões (R$ 916 milhões). Só a empresa Machroom, do promotor inglês Eddie Hearn, vai receber US$ 1 bilhão (R$ 3,6 bilhões) em oito anos. O mexicano Saúl Canelo Álvarez, boxeador mais importante da atualidade, assinou contrato de 11 lutas nos próximos cinco anos por US$ 365 milhões. A investida fez o canal HBO se afastar do boxe após 40 anos. O mesmo deve fazer a Showtime, com três décadas de transmissões.

Cristiano Ronaldo, logo após ser contratado pela Juventus, se tornou garoto-propaganda da DAZN e fez a empresa comprar os direitos de vários jogos da equipe na atual temporada.

A vantagem das transmissões da DAZN é a economia. Tanto para os protagonistas dos eventos esportivos quanto para os assinantes. Uma assinatura custa menos de 10% do valor do pay per view das TVs fechadas, enquanto atletas e equipes faturam quantias elevadíssimas. Seus streamings podem ser vistos em computador, notebook, smart TV, vídeo game, celulares android, iPhone e iPod.

 

 

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