Substituto de Marques compromete CBF

Um dia depois do escândalo envolvendo o ex-juiz Armando Marques, que foi afastado da presidência da Comissão de Arbitragem, o diretor do Departamento Técnico da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Virgílio Elíseo da Costa Neto, foi indicado para acumular as duas funções. O grande problema é que o novo dirigente também está envolvido em acusações, porque teria realizado negócios irregulares, além de malversação de fundos, durante os sete anos em que foi presidente da Federação Baiana de Futebol (FBF). A auditoria realizada pela empresa SCA Schmitt Consultores Associados S/C Ltda., no ano passado, apontou, por exemplo, que Costa Neto depositou cerca de R$ 2,5 milhões da FBF em uma conta pessoal. Segundo o dirigente, a atitude se justifica porque as contas da entidade estavam bloqueadas. Outro ato suspeito de Costa Neto foi o empréstimo de R$ 10 mil da FBF para a sua então secretária, Maria Armandina Passos dos Santos. Pelo compromisso firmado, ela pagaria a dívida à entidade em 25 prestações mensais. O dirigente alegou em sua defesa que esta transação foi aprovada pelo conselho da entidade. Mesmo sendo uma negociação irregular. Apesar da repercussão do escândalo da arbitragem, nenhum dirigente da CBF se pronunciou sobre o assunto. O presidente interino da entidade Alfredo Nunes, e o secretário-geral Marco Antônio Teixeira não apareceram hoje para trabalhar. Na próxima semana, o auditor do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Marcos Basílio, ouvirá os depoimentos de Marques e do juiz Alfredo dos Santos Loebeling. O juiz acusa o presidente afastado (preventivamente) da Comissão de Arbitragem de tê-lo coagido na hora de escrever a súmula da tumultuada partida final do Campeonato Brasileiro da série-B, entre Figueirense 1 x 0 Caxias, em 22 de dezembro. O inquérito para apurar as denúncias foi instaurado na terça-feira depois que Loebeling foi à sede da CBF e entregou uma carta ao presidente do STJD, Luiz Sveiter, relatando o ato que Marques teria praticado. De acordo com o juiz, o dirigente pediu que ele escrevesse na súmula da partida que a invasão de campo promovida pela torcida do Figueirense aconteceu após o final do confronto. Sob a desculpa de "peso na consciência", Loebeling resolveu contar toda a história. O juiz disse ter atendido o pedido de Marques. Ele até poderia ter saído ileso da história mas se complicou, porque, na ocasião, deu entrevistas onde afirmou que ainda faltavam dois minutos para o término da partida. O resultado do jogo está sub-júdice até que todas as denúncias sejam apurados. Além de Marques, Loebeling também foi suspenso.

Agencia Estado,

18 de janeiro de 2002 | 19h24

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