Reprodução Facebook @clubeatleticomogi
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Sucessor do Íbis? Atlético de Mogi está 50 jogos sem vencer e presidente culpa 'falta de qualidade'

Para Roberto Costa, não há dinheiro para investir na melhora do time, que pode igualar marca negativa da equipe pernambucana na década de 1980 

Josué Seixas, especial para o Estadão

13 de maio de 2022 | 15h00

São 50 jogos sem vencer desde 2017. Não existe forma mais simples de contar o momento em que vive o Atlético de Mogi, da Segunda Divisão do Campeonato Paulista. Para além disso, a equipe está próxima de bater um recorde que pertence ao Íbis, de Pernambuco, que ficou 55 partidas amargando derrotas e empates na década de 1980, situação que lhe valeu o título de pior time do mundo.

Para se ter uma ideia, o Atlético de Mogi sofreu 15 gols nas últimas duas partidas, contra União Mogi (7 a 0) e Joseense (8 a 0). São 31 derrotas seguidas, com apenas 20 gols marcados e 193 sofridos. 

Neste sábado, outro confronto complicado. A equipe entra em campo contra o Manthiqueira, às 15h, no Estádio Municipal Professor Dario Rodrigues Leite, em Guaratinguetá. O Estadão apurou que o time está sem goleiro de ofício atualmente (o que explicaria os placares elásticos) e anúncios pedindo jogadores 'com investimento' nas redes sociais são corriqueiros. 

O Estadão fez contato com o presidente do clube, Roberto Costa, para contar a história e os problemas enfrentados pelo Atlético de Mogi. Por mensagem, o dirigente foi sucinto e disse que falta 'investimento para contratar jogadores de mais qualidade', para que o time possa fazer frente aos adversários em São Paulo.

"O que posso informar como construtivo é que temos dificuldade para formar um bom elenco e um bom time por não conseguirmos investidores para contratar jogadores com mais qualidade. Nos jogos, os jogadores não conseguem se impor contra as outras equipes, que se mostram superiores e com jogadores de mais qualidade. Sem mais nada a falar", escreveu. 

Em Pernambuco, o Íbis sabe da situação do Atlético, já que faltam apenas cinco partidas para que seu recorde seja batido. Em 2011, Nilsinho Filho iniciou, com dois amigos, uma página de torcida para o clube e passou a brincar nas redes sociais justamente sobre as derrotas, o que ajudou o time pernambucano a ganhar mais espaço na mídia - o orgulho de ser 'o pior time do mundo' se materializou em patrocínios e numa melhora daquela realidade.

Entre muitas ações engraçadas, o Íbis chegou até a enviar um contrato para José Mourinho em Porto de Galinhas, quando ele passou férias no Brasil após ser demitido pelo Chelsea. Com as redes sociais verificadas desde 2014, de acordo com Nilsinho, e encontros com Cavani e Neymar, o Íbis ficou em 4º lugar como o time com o maior engajamento do mundo no Twitter, atraindo um patrocinador master. 

O desempenho em 2021 fez com que o time subisse para a primeira divisão do Campeonato Pernambucano e, em 2022, se manteve na elite. Diretor de marketing digital do Íbis, Nilsinho não mostrou grande preocupação com a chegada do Atlético nas proximidades do recorde negativo. 

"Então, nós ainda não estamos preparando nenhuma grande ação para essa questão do Atlético. O Íbis conseguiu esse recorde negativo porque era ruim de verdade, não por falta de estrutura ou falta de jogador. Eles trabalhavam durante o dia e jogavam durante a noite. Não treinavam tanto porque não podiam, não por falta de recurso. O recorde surgiu também na Série A do Campeonato Pernambucano, contra Náutico, Sport, Santa, enfim… A turma do Íbis era ruim de verdade", brinca Nilsinho.

"Nós sempre colocamos a ruindade do Íbis acima de todos, a ruindade master. Tínhamos advogado, cabeleireiro, tinha de tudo na nossa história. A gente fica feliz porque o Íbis sempre é lembrado neste tipo de situação, porque outros times sempre chegam perto do nosso recorde, para falar a verdade. Mas o nosso é eterno, o pioneiro", complementou. 

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