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Superclássico das Américas: a 'Era Dunga' e a água batizada

Seleção brasileira foi eliminada pela Argentina na Copa de 1990

Igor Ferraz, O Estado de S. Paulo

10 de novembro de 2015 | 13h40

A Copa do Mundo da Itália, em 1990, não costuma ser muito lembrada pelos brasileiros. Isso porque a seleção que jogou aquele mundial é considerada uma das menos cativantes de toda a história do Brasil em Copas. Para piorar, o time canarinho acabou sendo eliminado ainda nas oitavas de final e para seu maior rival: a Argentina, de Maradona. Na fase de grupos, a equipe treinada por Sebastião Lazaroni conseguiu três resultados positivos, mas em jogos sofridos e com futebol apático: 2 a 1 sobre a Suécia, 1 a 0 sobre a Costa Rica e 1 a 0 sobre a Escócia. Àquela altura, o volante Dunga, atual técnico da seleção, já era considerado o símbolo daquele time, que jogava por resultado, e não por desempenho.

De forma curiosa, nas oitavas de final, contra a então campeã Argentina, o time brasileiro fez sua melhor partida naquela Copa. Durante boa parte do jogo, o Brasil dominou, tendo acertado três bolas na trave. Paradoxalmente, foi o primeiro jogo em que Lazaroni utilizou três zagueiros no torneio. Aquele time era formado por Taffarel; Mauro Galvão, Ricardo Rocha e Ricardo Gomes; Jorginho, Dunga, Alemão, Branco e Valdo; Müller e Careca.

Em determinado momento, com a partida paralisada, Maradona ofereceu água para os jogadores brasileiros. Pouco tempo depois, achou o atacante Caniggia dentro da área para fazer o único gol do jogo. 1 a 0 para a Argentina e Brasil eliminado. Posteriormente, o time albiceleste seria vice-campeão do torneio, perdendo a final para a Alemanha, por 1 a 0.

Anos depois, Maradona confessaria que a água oferecida aos brasileiros estava 'batizada', facilitando a missão dos adversários. Porém, a eliminação brasileira não pode ser aplicada somente a isso. Houve muita desorganização na preparação daquele vaidoso grupo. Os jogadores discordaram da premiação oferecida pela CBF, recebiam familiares livremente na concentração, boicotavam a imprensa e até negociavam transferências para a Europa em meio à disputa da Copa.

Porém, o cunho pejorativo do termo 'Era Dunga' se desfez quatro anos depois. Tendo o time de 1990 como 'base', a seleção faturou o tetracampeonato mundial em 1994, tendo a taça sido levantada justamente pelo volante. Talvez por isso, o capitão brasileiro tenha se preocupado mais em esbravejar palavrões na hora de levantar o troféu ao invés de simplesmente comemorar.

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