Superstições entram em campo nesta Copa

Na América Latina, argentinos costumam ser ligados ao sobrenatural

Gonçalo Junior - Enviado especial a Belo Horizonte, O Estado de S. Paulo

28 de junho de 2014 | 05h00

O técnico Alejandro Sabella ão é daquele tipo que só evita passar embaixo de escadas. Ele vai além. No jogo contra o Irã, no Mineirão, ele queria usar o mesmo vestiário onde havia conquistado a Libertadores com o Estudiantes de la Plata com uma vitória sobre o Cruzeiro. A Fifa negou.

Sabella gosta de encontrar coincidências entre a preparação atual e a de 1986, quando a Argentina foi campeão no México. A lista é grande e inclui, por exemplo, o fato de o país ter tido, no passado e agora, o artilheiro do Campeonato Italiano (Maradona e Higuaín), ter enfrentado uma equipe com as cores vermelha, branca e verde na primeira fase (Bulgária e Irã) e ter convocado craques do Real Madrid (Valdano e Di María).

Além de suas próprias manias, Sabella sofre influência direta do coordenador de seleções Carlos Bilardo, este sim um craques das superstições. No CT do Atlético Mineiro, local que a Argentina escolheu para treinar, Bilardo pediu a exclusão dos números 13 e 17 dos quartos dos jogadores.

Sabella e Bilardo não estão sozinhos. Pesquisa da consultoria Instituto Ipsos, em conjunto com a multinacional P&G, revela que os torcedores mais afeitos ao sobrenatural na América Latina são os argentinos. Com isso, 25% dos que gritam e suam por Messi usam a mesma camisa para assistir a todos os jogos.

O professor Rodrigo Franklin de Sousa, coordenador do Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião da Universidade Mackenzie, explica que a repetição desses rituais traz segurança psicológica para quem os pratica. "Ao repetir um ritual bem-sucedido, as pessoas se sentem mais seguras e confiantes", explica Franklin. "O objetivo da superstição é tentar influenciar o curso dos acontecimentos", diz.

O que acontece com Sabella e também com Felipão, que vem repetindo vários passos da conquista do penta, dificilmente vai se repetir com o técnico alemão Joachim Löw ou com o inglês Roy Hodgson. A superstição tem fortes ligações com a cultura latina. "As culturas ibero-americanas têm uma abertura maior para os aspectos espirituais e transcendentais. São mais ligadas à magia", afirma Franklin.

Sabella não corre o risco de perder a liderança do grupo por suas crendices. "Mesmo que o jogador não acredite, ele respeita. O atleta não vai questionar o treinador com medo de ser sacado do time", brinca o professor.

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