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Suplício e delícia

São Paulo e Palmeiras vivem momentos antagônicos antes do clássico

Antero Greco, O Estado de S. Paulo

29 de agosto de 2016 | 03h00

São Paulo e Palmeiras enfrentam-se, no Allianz Parque, daqui a nove dias. Mas, na rodada que precede ao clássico de 7 de setembro, ambos tiveram realçadas as diferenças e os objetivos que os marcam neste momento. Tricolores penaram para empatar com o Coritiba por 0 a 0, no Morumbi. Alviverdes se desvencilharam com relativa serenidade do Flu, com 2 a 0 construídos na primeira etapa em Brasília. Um está na segunda metade da tabela; outro lidera o campeonato.

A torcida abandonou Ricardo Gomes e rapazes, um dia depois de covardes terem invadido o Centro de Treinamento para intimidá-los e agredi-los. Menos de 8 mil pessoas foram ao estádio incentivar a tropa, num momento delicado. Quando mais era necessária a contribuição do público, o que se viu foram extensos clarões nas arquibancadas vermelhas do estádio.

Tão vazio quanto os lugares na plateia foi o futebol. A turma são-paulina continua sem a explosão dos que têm consciência de que precisam sair do buraco a todo custo. Não chega a ser indiferença, tampouco indício de corpo mole. Mas falta a centelha vencedora ao grupo. O poder de reação que se viu em episódios decisivos da Libertadores virou fumaça. O São Paulo é time comum, sem graça, embora um pouco melhor do que nos últimos jogos.

Ricardo Gomes mudou de novo, na tentativa de encontrar a escalação ideal. Nas laterais, ficaram Buffarini e Mena, se não brilhantes ao menos mais regulares do que Bruno e Carlinhos. No miolo da zaga o jovem Lyanco, na vaga de Rodrigo Caio, machucado. Um setor que não foi muito incomodado por um Coxa preocupado em garantir o ponto que levou pra casa.

O meio e o ataque permanecem emperrados. Hudson, Thiago Mendes, Cueva, Kelvin e Michel Bastos formaram um quinteto do estilo operário padrão, aquele que cumpre seus deveres básicos, sem nenhum brilhareco. Na frente, Chavez tratava de mostrar algo diferente. Ele teve as duas melhores oportunidades, uma em cada tempo.

Não é por acaso que o São Paulo desempenha papel de figurante na Série A deste ano e coleciona decepções como mandante, com 4 vitórias, 3 empates e 4 derrotas. Assim não há humor que resista. Como tem incessante perde e ganha da turma de baixo, ainda consegue perambular pela 10, 11.ª colocações. Caso contrário, o sufoco e o constrangimento seriam maiores.

Jesus volta. O Palmeiras fica em situação oposta e plana em céu de brigadeiro no topo. Com Gabriel Jesus de retorno da aventura dourada na Olimpíada, ignorou a boa fase do Fluminense (eram quatro jogos sem perder), aproveitou-se do campo neutro do Mané Garrincha e garantiu os três pontos antes do intervalo. Em dois lances rápidos, com Dudu e Jean, liquidou a tarefa e se limitou a administrar o relógio.

O jovem atacante prepara as malas para buscar fama e fortuna no Manchester City e não tirou o pé nas divididas. Encarou os zagueiros tricolores, tomou cartão amarelo e até fez gol, bem anulado pela arbitragem. Com ele em campo, o time se torna perigoso e exige atenção redobrada dos rivais. Como concentra marcação, outros ficam livres e com chances de decidir, como foi o caso.

O clássico foi pegado, com festival de cartões amarelos (12). Mas, com o resultado, o Palmeiras, 43 pontos, praticamente tirou um concorrente da corrida pelo título, pois o Flu parou nos 31 (tem jogo com o Figueirense para recuperar). A sombra que cresce é a do Flamengo, o vice-líder com 40 e com o qual tem choque direto, dia 14, no Parque.

Santos travado. O futebol leve e letal esbarrou diante do Figueirense compacto na defesa, na manhã deste domingo, na Vila, na despedida de Gabigol. O Santos criou, chutou, apertou, porém pagou por erros de pontaria com o preço de sempre: derrota, no caso por 1 a 0, de pênalti. Pontos irrecuperáveis, como aqueles para Coritiba, Inter e América, frequentadores do bloco do desespero.

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