Surge a arbitragem "café com leite"

O futebol de São Paulo e Minas Gerais oficializa neste fim de semana a arbitragem "café com leite". E não se trata de marmelada, com árbitros dispostos a manter resultados iguais para as duas equipes em campo. Longe disso. A idéia é fazer um intercâmbio do trio de arbitragem nos campeonatos regionais. Paulistas apitam em Minas. E mineiros apitam em São Paulo. Tudo para apagar incêndio e uma desconfiança generalizada contra os árbitros de Minas.O pivô de toda essa confusão é o Atlético-MG, que desde a primeira rodada do Estadual reclama do trabalho dos profissionais do apito, alegando ter sido prejudicado em campo. O presidente do clube, Ricardo Guimarães, tem sido categórico em suas afirmações: não quer que a Federação de Futebol escale árbitros mineiros em jogos de sua equipe, sobretudo no clássico de domingo, contra o Cruzeiro. "Não aceitamos e não concordamos com a arbitragem mineira", disse. Formou-se o impasse.Assim, nasceu a arbitragem "café com leite", referência à aliança ocorrida na política (1889 a 1930) entre as oligarquias dos dois Estados ligados ao setor agropecuário. Os Mineiros apoiavam os paulistas no Congresso em troca de cargos federais. Paulistas e mineiros se alternavam em funções-chave do País.A CBF, com a competência de Armando Marques, resolveu intervir. Comandou uma reunião nesta quinta-feira no Rio para institucionalizar a política da boa vizinhança entre os Estados também no futebol. O trio de árbitros paulistas, formado por Paulo César Oliveira e pelos assistentes Ana Paula Oliveira e Maria Eliza Correa Barbosa, comandará o clássico de domingo entre Atlético-MG e Cruzeiro, no Mineirão.Da mesma forma, um trio de Minas Gerais apitará o jogo Portuguesa Santista e Rio Branco, no Ulrico Mursa. O árbitro mineiro escolhido foi Cléver Assunção Gonçalves, que fará parceria com os bandeiras Helbert Andrade e Eduardo Campos.

Agencia Estado,

17 de fevereiro de 2005 | 18h46

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