Nilton Fukuda/Estadão
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Surpresas e decepções

Meninos da base tomam o São Paulo de assalto e mostram o que a torcida quer ver

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

25 de março de 2019 | 04h30

O futebol paulista contou uma história diferente neste fim de semana. As quartas de final do Estadual deram esperanças a um time que estava de bola murcha na competição, sem confiança e envolto em muita confusão no vestiário. Mudou porque os meninos da base, deste ano e de outros, assumiram as rédeas e tomaram o time de assalto, sem medo de errar, abusados e colocando em prática no profissional o que faziam nas divisões inferiores. É cedo para apostar todas as fichas e escrever com todas as letras que a fase virou, mas o São Paulo contra o Ituano foi o time que deveria ser desde muito tempo atrás, desde o começo da temporada, com gana e de futebol ofensivo até o fim.

A classificação para o mata-mata diante do São Caetano, mesmo jogando mal, renovou o ânimo do elenco, enterrou alguns problemas do grupo, fez Mancini dar de ombros para veteranos e picuinhas e tratar de apostar em meninos que pediam passagem. Foi dessa forma que o São Paulo ganhou de 2 a 1 na primeira partida em casa do mata-mata e deixou sua classificação para a semifinal encaminhada, podendo até empatar na volta.

Mais do que a vitória, o que chamou atenção foi a forma com que o São Paulo mandou na partida. Igor Gomes fez os dois gols do time. Fez porque entrou na área, fez porque foi participativo, porque não teve medo. Aquele time desorganizado, sem vontade, passivo e errando tudo, com jogadores batendo cabeça, deu lugar a uma equipe disposta, querendo acertar, participativa e de categoria, o que o torcedor sempre cobrou neste ano. O resultado deixa o São Paulo mais confiante, mais perto também da vaga na decisão de quarta-feira em Itu.

Da mesma forma, o Santos passou pelo Red Bull num dos melhores jogos deste Paulistão. Ganhou por 2 a 0 no Pacaembu e confirmou a confiança que sua torcida deposita no time nesta reta final de torneio. Venceu jogando bem, correndo riscos, atacando e sendo atacado, mas nunca desistindo de sua condição ofensiva, seu DNA, do futebol objetivo e da procura incessante pelo gol, como deve ser um time tradicional e do tamanho de sua história.

Agigantar-se nas decisões é uma qualidade dos grandes do futebol brasileiro, principalmente nos Estaduais.

Teve um, no entanto, que decepcionou. O mais badalado dos finalistas. O Palmeiras. Como jogou mal em Novo Horizonte! O empate com a equipe do interior caiu dos céus para Felipão. Era para ter perdido, mesmo a despeito da briga do clube com a FPF por um gol supostamente irregular. Mais do que isso. O Palmeiras foi um time desarrumado, desinteressado, de salto alto e até desrespeitoso com o adversário. Pensou que poderia ganhar a qualquer momento. Foi surpreendido. O calendário se aproxima de abril e o Palmeiras continua devendo futebol na maioria das partidas, mesmo aquelas que ganha. Seu futebol é preocupante.

Há jogadores sem qualidade no elenco, que já tiveram chances e não responderam. Vivem de lampejos. Insistir com eles é um erro que pode custar muito caro lá na frente.

Encerrando a primeira rodada das quartas, o Corinthians fez seu tradicional jogo, de toque de bola e precaução, oferecendo perigo e tendo dificuldades na marcação e na velocidade da Ferroviária. Cássio se machucou. As chances de gols foram boas. O time da casa saiu na frente e Gustavo empatou: 1 a 1.

O futebol do fim de semana foi, sem dúvida, de surpresas e decepções. As decisões estão abertas.

SELEÇÃO

Sem Neymar, o Brasil é um time comum, como o Panamá. Tite parece perdido no comando, sem condições de arrumar a equipe. Os jogadores, bons individualmente, não conseguem ser um grupo. Vi o que temia: voltamos à estaca zero.

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