Surpreso, Luxemburgo evita polêmicas

Luxemburgo está acostumado a demissões - rotineiras em sua profissão. Mas a saída do Corinthians o surpreendeu. O técnico tinha certeza de que continuaria no Parque São Jorge na temporada de 2002 e ficou sem ação ao saber ontem que havia perdido o emprego. O "bilhete azul" lhe foi passado por telefone no fim da tarde - e por Luiz Henrique de Menezes, igualmente demitido. "Foi a primeira vez que isso aconteceu comigo", revelou o mais novo desempregado. "Antes, não havia sido dispensado dessa forma, e por alguém que também estava de saída", admitiu, em entrevista no La?Venue, nome com o qual rebatizou o antigo e tradicional Bar do Elias. "Estou no mercado e aberto a ouvir ofertas", foi a forma prosaica, com que resumiu sua situação atual. Luxemburgo, no entanto, não saiu atirando contra os dirigentes do clube e da patrocinadora Hicks Muse. Como convém a quem faz parte do circo do futebol, preferiu ser prudente e agradeceu a oportunidade "de voltar à ativa" quando estava por baixo, por conta das CPIs e da operação a que se havia submetido no joelho no início do ano. "O Corinthians acreditou no meu trabalho e no meu caráter", discursou, em tom apaziguador e emendou com análise favorável do que foram os meses iniciais de convivência com atletas e cartolas. "O primeiro semestre foi bom e conseguimos recuperar a auto-estima dos jogadores, com a conquista do título paulista", recordou. "Só não esperava sair tão rápido, embora eu saiba que essa é realidade, a cultura do nosso futebol." A estratégia de cautela de Luxemburgo incluiu também referência à parcela de responsabilidade que lhe cabe pelas decisões tomadas após a perda da Copa do Brasil. Pouco depois da derrota por 3 a 1 para o Grêmio, no Morumbi, mais de uma dezena de jogadores foi afastada do elenco. O Corinthians partiu para renovação quase radical, que se acentuou com o rompimento com Marcelinho Carioca. "Sentamos à mesa e discutimos o que deveria ser feito no segundo semestre", contou, no segundo andar do restaurante da família. "Foi uma decisão conjunta", enfatizou. "A idéia era investir em jovens, em apostas de médio e longo prazo. E também em alguns profissionais experientes para contrabalançar." Nesse ponto, o treinador sugeriu que eventual culpa pelos fracassos seguidos (campanha ruim no Brasileiro e eliminação na semifinal na Mercosul) fosse dividida também com os antigos empregadores. "Erros todos cometem, inclusive os dirigentes", disse. "Mas no fim sobra para o técnico." Luxemburgo não se considerou traído, mas classificou de "deselegante" a forma como foi afastado do Parque São Jorge. Em sua opinião, deveria ter sido chamado para a reunião em que se optou por sua dispensa. "Não teria problema algum me convocarem para a demissão, da mesma forma como me procuraram para acertar o contrato", ressaltou. " Mas fiquei desconfiado de que algo não ia bem, quando telefonei para o diretor de futebol Roque Citadini, na segunda-feira, e não fui atendido. Até então, mantínhamos contato diário."

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