Yves Herman/Reuters
Yves Herman/Reuters

Sylvinho é anunciado por Rogério Caboclo como novo técnico da seleção olímpica

Auxiliar de Tite vai assumir o cargo com a chegada do novo presidente, que pediu confiança das pessoas

Fábio Grellet e Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2019 | 20h54

Ao assumir nesta terça-feira a presidência da CBF para o próximo quadriênio, Rogério Caboclo afirmou em seu discurso de posse, ocorrido na sede da entidade, no Rio, que espera que as pessoas acreditem no trabalho e na conduta dele e dos integrantes desta nova gestão que conduzirá os caminhos do futebol nacional e da seleção brasileira.

Ao comentar sobre a expectativa para o seu mandato, o dirigente ressaltou: "Quero dizer de segurança, que confiem que a gente vai trabalhar com bons princípios e bons propósitos. A gente vai acertar e vai errar também, mas estamos prontos para sermos acusados nos erros - mas nunca nos erros essenciais".

Caboclo discursou prometendo independência, transparência e um olhar para o futuro do futebol brasileiro - e, para isso, quer buscar ajuda de craques e técnicos do passado. Diante de um auditório lotado por cartolas do País, e prestigiado pelos presidentes da Fifa, Gianni Infantino, e da Conmebol, Alejandro Dominguez, o novo mandatário anunciou a criação de um "conselho de craques" para discutir o futebol brasileiro.

O conselho será formado pelos ex-jogadores Cafu, Gilberto Silva, Juninho Paulista, Ricardo Rocha, Zinho, Jairzinho e Careca. Pretinha e Michael Jackson, da seleção feminina, também comporão o grupo, assim como os técnicos Carlos Alberto Parreira e Muricy Ramalho. Apesar de ser apresentada como novidade, a ideia não é exatamente nova. Em 2015, o então técnico da seleção Dunga montou um conselho ao lado do coordenador Gilmar Rinaldi. O grupo tinha ainda Zagallo, Parreira, Carlos Alberto Silva, Paulo Roberto Falcão, Sebastião Lazaroni, Candinho e Ernesto Paulo.

Nesta terça-feira, Rogério Caboclo também anunciou que Sylvinho, um dos auxiliares de Tite na seleção principal, vai comandar a seleção olímpica. "Ele é muito bem formado, é um estudioso do futebol, um homem respeitado por aqueles craques que já estão no vestiário da seleção principal. Não é alguém que vai ter que se adaptar à convocação de jogadores Sub-23, que já são ídolos nos seus clubes, ou aqueles que ultrapassam a data no limite do que a Olimpíada permite. Ele não vai ter que se adaptar a esses jogadores. Ele vai fazer uma integração entre o futebol sub-20, sub-23 e a seleção que vai disputar a Copa do Catar", disse o dirigente ao justificar a escolha para o cargo.

O ex-jogador Juninho Paulista, por sua vez, será responsável por uma nova área, a de desenvolvimento do futebol, enquanto o ex-árbitro Leonardo Gaciba será o responsável pela comissão de arbitragem. "O Juninho cuidará da área de desenvolvimento, que é muito abrangente, vai de A a Z. Vai participar da área de competições, vai falar de arbitragem, de registro e transferência, vai falar de seleção naquilo que for mais amplo - não estando introduzida dentro de departamento de seleções", disse Caboclo.

Já ao comentar sobre a função assumida por Gaciba, o presidente da CBF destacou: "É um nome consagrado. É um árbitro que foi da Fifa, que por quatro anos foi o melhor do Brasileirão. Ele se aprimora cada vez mais, na medida em que ele sai do campo e vai pra tela (o ex-árbitro era comentarista de TV). Ele é um especialista em medição de espaço, em linhas. Eu não vejo ninguém melhor".

CONSTRUÇÃO DE NOVO CT

Ao final da cerimônia de posse, Caboclo conversou com os jornalistas na sede da CBF e abordou outros pontos importantes de sua gestão, como por exemplo o plano de construir um novo Centro de Treinamentos, na Barra da Tijuca, para a seleção brasileira. "Fica em frente à Vila Olímpica de 2016. É uma espaço de 100 mil metros quadrados, próximo ao Riocentro. Aí vamos sediar nove novas atividades de desenvolvimento do futebol. A gente depende de autorizações governamentais para o início das obras, o que é um passo essencial. A partir daí, a gente imagina que entre um ano e meio, dois anos, vai estar preparado", projetou.

Ao comentar sobre este CT na Barra, o dirigente também assegurou que a Granja Comary, em Teresópolis, continuará sendo útil para a CBF e para a seleção brasileira. "Ela não deixa de ser a sede de todas as seleções do Brasil. É lá que todas vão se preparar. Aqui a gente tem outra finalidade, que é o desenvolvimento do futebol na área da arbitragem, do futebol feminino, do beach soccer, do futsal, na área social, com a construção de uma escola de ensino fundamental, acompanhada no período da tarde com o ensino do futebol. Será um centro de desenvolvimento", explicou.

Já ao justificar o fato de que prometeu nesta terça-feira que, a partir de 2020, não haverá jogos de clubes no Brasil em datas reservadas pela Fifa para confrontos entre seleções, o dirigente ressaltou: "São dez datas por ano, normalmente em março, junho, setembro, outubro e novembro. Todas aquelas que a gente tiver competições nacionais, param. Esse é o compromisso. O futebol precisa de preservação de datas. Os Estaduais merecem uma reflexão. Vai ser uma decisão de cada qual (federação) se vai de fato preservar, porque eles têm autonomia para isso".

ENCONTRO COM BOLSONARO

Após tomar posse na CBF, Caboclo tem um encontro marcado com o presidente da República, Jair Bolsonaro, nesta quarta-feira, quando também garante que não fará solicitações que possam beneficiar a CBF por meio de ações do governo federal.

"Essencialmente, não há nenhum tipo de favor que a CBF queira fazer hoje, e nem no futuro, em relação a governo. Eu tenho a maior tranquilidade que não haverá nenhum tipo de pedido. A CBF não quer benefício fiscal, não aceita, não quer nada que não seja bom para o povo brasileiro. É uma conversa muito cordial. Talvez, numa forma objetiva, uma vez que o governo já se dedicou a essa causa e o presidente já dedicou alguns ministérios à administração da Copa América, da Copa do Mundo Sub-17, que ele conheça pessoalmente, da nossa voz, o que significa para a gente ter essas competições no Brasil", enfatizou o novo presidente da CBF.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.