Lucy Nicholson/Reuters
Lucy Nicholson/Reuters

Tá russo! Detectores de metais estão por todos os lados na Rússia

É compreensível o cuidado russo com a segurança, por vários fatores

Almir Leite, enviado especial / Sochi, O Estado de S.Paulo

20 Junho 2018 | 04h00

A primeira coisa que se faz ao chegar em um aeroporto na Rússia é passar pelo detector de metais. Quer receber um amigo? Comece passando pelo detector. Quer comprar uma bala em uma loja do saguão? Se não se submeter ao aparato de segurança, vais ficar com água na boca. Ou passa ou não entra. 

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Vencido o desafio, alívio. Faz-se o check-in, despacha as malas, toma um café... É hora de embarcar. Mas, para chegar ao "gate", adivinha? Outro detector de metal no caminho. Não sem antes entregar cartão de embarque e passaporte a uma funcionária na entrada, que carimba o cartão - a impressão que tenho é que gostam mais de carimbo do que de detectores - e lhe autoriza a dar o próximo passo.

É compreensível o cuidado russo com a segurança, por vários fatores. Entre eles a possibilidade de alguém aproveitar a Copa para entrar ou sair do país com algo que não devia e ameaça terrorista, que vem de radicais tanto do Estado Islâmico como de separatistas de regiões próximas. E o Mundial proporcionaria uma visibilidade comparável à derrubada das torres do World Trade Center, naquele fatídico 11 de setembro de 2001.

Mas que é desconfortável, isso é. Principalmente para quem tem de viajar, na média, de três em três dias, atrás e às vezes na frente da seleção brasileira. Além disso, a trabalhar nos detectores normalmente estão sujeitos e sujeitas com caras de poucos amigos, que não falam uma só palavra que não seja em russo e que parecem ter faltado de propósito na aula de cordialidade.

 

Como quem não deve não teme, no frigir dos ovos não é o fim do mundo ter de encarar os detectores. Mesmo porque, na hora do embarque em companhia russas, é um "pega pra capar".

Essa história de "senhores passageiros, vamos dar início ao embarque. Primeiro as preferências por lei, os passageiros acompanhados de criança e os membros do programa de milhagem tal" não rola. Bastou falar "senhores passageiros" para começar o salve-se quem puder. Todo mundo corre para a fila, se é que se pode chamar de fila uma aglomeração de pessoas que engorda em vez de esticar, e o objetivo comum é entrar o mais rápido possível na aeronave. Ninguém xinga ninguém, não há discussão - pelo menos até agora não presenciei nenhuma - mas prevalece a lei do mais forte.

Mas, uma vez ajeitada a carga, que dizer os passageiros, as viagens são tranquilas. Nada de turbulência - pelo menos até agora -, aeromoças e aeromoços cordiais, apesar do aperto entre as poltronas, algo comum para nós brasileiros, seja numa ponte aérea Rio-São Paulo seja num voo de econômica para Nova York. Após a aterrissagem, mais um detector de metais para não perder o costume e pronto! O problema agora passa a ser pegar um táxi.

Mas sobre isso a gente fala depois. Afinal, a Rússia é muito mais do que a chatice previdente dos aeroportos. O país da Copa tem cidades interessantes e com grande importância histórica, mantém o hábito de homenagear seus heróis intacto, respeita sua história e sua tradição. 

E finalmente começa a se empolgar com o Mundial além Moscou, graças às duas vitórias de sua seleção. Nesta terça, após os 3 a 1 sobre o Egito, em Sochi foi possível ouvir torcedores gritando gol como se fosse no Brasil. Depois da partida, com a noite caindo, dezenas de grupos, bandeiras nas costas, regavam a comemoração com cerveja e vodca. E alegria.

CLIMA DE FESTA

Afinal, esse é um dos objetivos de uma Copa do Mundo. Deixar as pessoas felizes, ainda que de maneira efêmera, pois nunca se sabe o que vai acontecer no próximo jogo.

Sem contar que, diante da grandeza de uma Copa, um detector de metal a mais ou a menos, não faz diferença.

 

 

 

 

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