Martin Meissner/AP
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Tabárez minimiza favoritismo da França e diz não saber se terá Cavani

Técnico do Uruguai pede paciência para confirmar escalação momentos antes da partida, nesta sexta-feira às 11h

Glauco de Pierri, enviado especial / Nizhni Novgorod, O Estado de S.Paulo

05 Julho 2018 | 15h22

Reverenciado pela imprensa uruguaia, o técnico Óscar Tabárez deu mais uma "aula" de futebol na coletiva realizada nesta quinta-feira, no estádio de Nizhni Novgorod, onde na sexta sua seleção enfrenta a França, pelas quartas de final da Copa do Mundo da Rússia. O técnico só se irritou um pouco uma vez, quando foi questionado se o atacante Edinson Cavani vai para o jogo ou se fica no banco de reservas. "Peço 24 horas de paciência e nada mais."

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"O de Cavani eu o deixo em aberto. Em um dia vamos saber quem vai integrar o time titular e quem será reserva. Desde que ele se lesionou sabemos a dor que lhe causa estar vivendo isso em um Mundial. É um jogador importante para nós e está num momento futebolístico bom, no auge. Trabalhou para recuperar, está concentrado nos seus sonhos. Já demos informações em dois comunicados", declarou o treinador.

"Parece que o primeiro não chegou, começaram a circular rumores, lançamos o segundo. Então: já se deu a informação e não quero entrar em jogos, a nós não nos convém. Nenhuma ansiedade nos vai fazer mudar de posição. Queremos é jogar e ganhar, nada mais. Não queremos dar espaço a coisas que não tem nada a ver com futebol. Desculpem, mas não podem ter toda a informação, nem eu tenho. Por exemplo, não sei quem é o jogador francês que vai entrar para o lugar do que está suspenso (Matuidi)."

O técnico também analisou o rival desta sexta, a França, e rasgou elogios aos jogadores do time. "A França é um adversário poderoso, com capacidade, que tem muitos jovens, que jogaram o Mundial Sub-20 com o Uruguai. Não consideramos impossíveis. Tem jogadores velozes, como Mbappé, criativos, como Griezmann, jogadores altos no ataque e que chegam. É uma equipe poderosa. Estamos informados sobre o que fazem. Vamos tentar limitá-los. E criar problemas para eles."

 

Sobre o fato de quase ninguém considerar o Uruguai favorito, Tabárez recorreu a uma música uruguaia para explicar o sentimento que tem. "Como diz uma canção uruguaia popular, nunca favoritos, sempre vindo de atrás. É nossa realidade e nos orgulha, é a base do nosso esforço. Estamos com uma vontade bárbara de jogar e tentar. Se conseguimos, será maravilhoso ter vencido uma das grandes seleções do mundo. Esse é o pensamento positivo que temos."

"A França é muito poderosa. E é um país com vínculos antigos com o Uruguai. O primeiro idioma que me ensinaram foi o francês. O primeiro gol em 1930, em Montevidéu, foi feito por um francês. Dos grandes times, é o que mais nos procura e quis jogar conosco. Isso mostra o respeito. Quando eu trabalhava para a Fifa, em 98, me mostraram o centro de formação, visitei Clairefontaine e muitas coisas usamos para o nosso próprio processo de trabalho", afirmou.

E porque um país pequeno como o Uruguai consegue se manter em alto nível o futebol mundial? Com a resposta, 'Mestre' Tabárez: "Muito importantes a paixão, o resgate da nossa história e o trabalho com os juvenis. Trezentas mil pessoas todos os fins de semana vão jogar bola, assistir. E nossos jogadores são amigos, se divertem assim. Isso ninguém vai tirar deles."

 

 

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