Montagem sobre fotos de Marcello Fim/O Fotográfico e Cesar Greco/Ag. Palmeiras
Montagem sobre fotos de Marcello Fim/O Fotográfico e Cesar Greco/Ag. Palmeiras

Tabu é o ‘de menos’ no clássico entre São Paulo e Palmeiras

Confronto com cara de decisão, às 18h, no Morumbi, pode representar a retomada tricolor ou a afirmação alviverde

Renan Cacioli, O Estado de S. Paulo

06 Outubro 2018 | 05h00

Os 16 anos sem derrotas do São Paulo para o Palmeiras no Morumbi podem até servir de combustível para o confronto decisivo deste sábado, às 18h, pela 28.ª rodada do Campeonato Brasileiro. Mas o fato é que há muito mais em jogo neste duelo com cara de mata-mata entre concorrentes diretos ao título do que simplesmente quebrar uma sequência ruim dos visitantes ou manter a invencibilidade dos donos da casa. 

Para os anfitriões, ganhar terá dois significados importantes: passar novamente à frente do rival, que tem um ponto a mais (53 a 52) na tabela, e interromper período de desconfiança e oscilações na disputa. Vindo de três empates consecutivos – Botafogo, América-MG e Santos –, o time de Aguirre faz campanha intermediária no returno, razão pela qual acabou perdendo fôlego e moral. "Temos de vencer. Tivemos vários resultados que não queríamos nos últimos jogos. Não podemos perder pontos, ainda mais em confronto direto", diz o meia Nenê.  

A esperança da torcida tricolor está na possibilidade de Aguirre escalar formação titular, com os retornos de Arboleda, suspenso no último jogo, e especialmente de Everton, recuperado de fibrose na coxa. Será apenas a segunda vez em nove partidas no segundo turno que o uruguaio terá todos à disposição, o que ajuda a explicar a queda de desempenho no returno.

Ocorre que não tem sido fácil para ninguém enfrentar o Palmeiras. O visitante também têm razões para não entrar em campo pensando apenas no tabu. Fora a possibilidade de derrubar pela segunda vez neste Brasileiro o rival direto pela taça – ganhou em casa no primeiro turno por 3 a 1 –, o time de Felipão atravessa momento de alta: chegou ao topo do Nacional na rodada anterior e acaba de se classificar à semifinal da Libertadores após 17 anos de ausência no top 4 continental.

"Não dá para esconder que o Palmeiras vive grande momento e é protagonista nas competições que está disputando. Agora é a hora em que as coisas afunilarão", disse na sexta o goleiro Weverton, em entrevista.

Ao contrário do São Paulo, cuja escalação dificilmente terá surpresa, cravar os 11 palmeirenses é tarefa das mais complicadas. Nas últimas rodadas, Scolari mesclou o time por causa dos jogos de meio de semana nos torneios mata-mata, preocupado com o desgaste físico do grupo. Após o duelo com o Colo-Colo, quarta-feira, ele teve dois dias para recuperar os atletas. Na última sexta, por exemplo, nem o lateral Diogo Barbosa nem o zagueiro Edu Dracena apareceram em campo durante os 15 minutos de acesso que os jornalistas tiveram ao treino.

Mas e o tabu do São Paulo contra o Palmeiras no Morumbi?

Na prática, os 24 jogos sem perder dos são-paulinos (15 vitórias e nove empates) têm pouco a ver com os 22 jogadores que deverão atuar esta noite. Afinal, a maioria era criança naquele 20 de março de 2002, quando os palmeirenses venceram pela última vez no Morumbi. Os mais velhos, Nenê e Felipe Melo, tinham 21 e 18 anos, respectivamente, na época.

Além disso, os elencos atuais têm pouco tempo de casa. Exceção a Dudu, que já está há mais de três anos na Academia, ou Reinaldo, que entre idas e vindas conhece a história do clássico desde 2013, quando chegou ao Morumbi, os demais não vivenciaram muitos confrontos entre as duas equipes.

"Isso é legal para a imprensa, para o torcedor brincar. Mas duvido que o Felipão trabalhou a semana dizendo 'ó, faz tantos anos que não vence'. E nem o Aguirre está mais tranquilo porque faz tantos anos que não perde", aposta Alex, protagonista naquele 4 a 2 válido pelo Torneio Rio-São Paulo de 2002, quando marcou gol antológico com direito a chapéu em Rogério Ceni antes de balançar as redes.

Se foi ou não utilizado pelos treinadores na preparação do jogo, o fato é que o tabu não pode ser ignorado. No lado tricolor, ainda há outro componente relevante envolvendo o Morumbi. Neste Brasileirão, a equipe não perdeu nenhuma das 13 partidas disputadas em seu estádio: ganhou nove e empatou quatro. Por fim, Aguirre defende um tabu pessoal. Desde que chegou ao clube, em março, não foi batido em clássicos em casa. Ganhou duas vezes do Corinthians e uma do Santos – as derrotas para Corinthians e Palmeiras foram como visitante, assim como o empate com o Santos.

Barreiras que o Palmeiras de Felipão parece preparado para derrubar. Só nesta semana que passou, foram duas escritas encerradas: no último domingo, voltou a derrotar o Cruzeiro após três anos de resultados adversos. Na quarta, ao eliminar o Colo-Colo e carimbar seu lugar na semifinal da Libertadores, encerrou jejum de quase duas décadas sem estar entre os quatro melhores da América.

"Eu me lembro bem que, em 2016, o que tinha de tabu para a gente quebrar… Todo jogo era tabu. Não vamos preocupados com tabu, vamos preocupados em vencer porque o campeonato necessita disso", destacou o meia Moisés, referindo-se à campanha do título brasileiro de dois anos atrás, quando o clube saiu de uma fila de 22 anos sem conquistar o Nacional e, pelo caminho, quebrou marcas como vencer o Internacional no Beira-Rio após 19 anos de seca.

Após o clássico, as equipes terão a semana livre para curtir o resultado positivo ou chorar a derrota. O São Paulo só encara o Inter no domingo que vem, mesmo dia em que o Palmeiras receberá o Grêmio.

FICHA TÉCNICA

SÃO PAULO: Sidão; Bruno Peres, Arboleda, Anderson Martins (Bruno Alves) e Reinaldo; Jucilei, Hudson e Nenê; Rojas, Diego Souza e Everton. Técnico: Diego Aguirre.

PALMEIRAS: Weverton; Mayke, Luan, Gómez e Victor Luis; Felipe Melo, Bruno Henrique (Thiago Santos) e Lucas Lima (Moisés); Willian (Hyoran), Dudu e Borja. Técnico: Felipão.

ÁRBITRO: Wilton Pereira Sampaio (GO).

LOCAL: Morumbi.

HORÁRIO: 18h.

TV: Pay-Per-View.

 

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‘Quando o São Paulo acordou no jogo, já estava 2 a 0 pra nós’

Protagonista da última vitória palmeirense no Morumbi, Alex conta como Luxemburgo usou notícias da época para motivar time

Renan Cacioli, O Estado de S. Paulo

06 Outubro 2018 | 05h00

Enquanto o Palmeiras não acabar com o jejum de vitórias sobre o São Paulo no Morumbi, não tem jeito: Alex será procurado para falar mais uma vez sobre como foi a noite daquele 20 de março de 2002, quando fez um gol antológico, com direito a chapéu no zagueiro Emerson e no goleiro Rogério Ceni antes de balançar as redes, e ajudou sua equipe a derrotar o rival por 4 a 2, pelo extinto Torneio Rio-São Paulo. “Lembro de tudo, porque todo ano tenho de falar sobre esse jogo”, brinca o ex-meia.

Confira a entrevista exclusiva que o ex-jogador concedeu ao ESTADO.

É impossível falar desse confronto sem citar o tabu no Morumbi. Como jogador, você se ligava nisso, em números, estatísticas?

A gente não se liga nisso, mas a imprensa não deixa passar batido. Tenho certeza de que ninguém dentro do São Paulo ou do Palmeiras se preparou nesta semana em cima de tabu.

​Mas esse tipo de coisa é usado no vestiário, pelos treinadores, como motivação?

É São Paulo x Palmeiras. Não são esses mesmos jogadores. Se você pegar o Dudu, por exemplo, que está há mais tempo, talvez o retrospecto dele tenha mais vitórias do que derrotas. Aí, você pega e trabalha em cima apenas das derrotas do Palmeiras, sendo que o Dudu talvez tenha retrospecto favorável? A partir do momento da reapresentação das equipes, o Felipão passa: 'Somos líderes e vamos enfrentar quem pode nos tirar a liderança'. Não vai se falar em tabu de tanto tempo sem vencer. Isso é legal pra imprensa, pra torcedor brincar com o outro.

E sobre aquele jogo específico, do que você mais se lembra?

O São Paulo era um time de meninos, a geração do Kaká, do Júlio Baptista, do Simplício. Eles tinham um ataque com Reinaldo e Luís Fabiano, um time fortíssimo, ganhavam de três, quatro naturalmente dos adversários. E nós, o Vanderlei (Luxemburgo) estava  tentando achar um time para o Brasileirão de 2002. Tínhamos dificuldades, ganhávamos jogos apertados por 1 a 0, 2 a 1. A imprensa esculachou o nosso time, tratou até com falta de respeito. E o Vanderlei era mestre nisso, de usar esse componente. E começa o jogo de uma maneira como imaginávamos, o São Paulo era tecnicamente superior. Mas as coisas foram dando certo, marcamos bem. Quando o São Paulo acordou no jogo, já estava 2 a 0 pra nós. Eles tentam igualar, mas aí sai o meu gol, não adianta, desmoraliza. Foi uma noite em que o São Paulo era mais time, mas o Palmeiras foi superior.

Como avalia os momentos dos dois neste campeonato?

Após um momento de desequilíbrio com o Roger (Machado), o Palmeiras só ascendeu, o Felipão mudou algumas coisinhas que imaginava em termos defensivos, ele faz muito bem isso. O São Paulo montou um time pra fazer melhores competições do que nos últimos anos. O time encaixou, teve uma queda nos últimos jogos, mas é normal.

Há algum favorito para o jogo de sábado?

Não, nenhum. Os dois têm bons times, jogam de forma equilibrada, em cima daquilo que os treinadores desejam, brigam cabeça a cabeça por pontos, vão se encontrar num momento muito bacana.

O que destacaria taticamente do Felipão e do Aguirre? 

O Aguirre é um treinador bem diferente. O Felipe tem ideia mais pragmática, um sistema defensivo bem definido. O Aguirre vai fazer uma alteração, mas nessa envolve duas, três peças. Tem gente que não gosta. Quando dá certo, fala que é sorte. Quando dá errado é um prato cheio pra criticar. 

 

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