Taça Guanabara: as cinco finais mais marcantes

Vasco e Botafogo decidem neste domingo, às 16h, no Engenhão, o título da primeira parte do Campeonato Carioca

Mateus Silva Alves, O Estado de S. Paulo

09 Março 2013 | 16h11

SÃO PAULO - Criada em 1965 para apontar o representante do extinto estado da Guanabara (atual cidade do Rio de Janeiro) na extinta Taça Brasil, a Taça Guanabara passou em 1972 a valer como primeiro turno do Campeonato Estadual. Apenas em 1994 o torneio passou a ter oficialmente uma final - até então, o sistema utilizado era o de pontos corridos. Isso, no entanto, não impediu a Taça Guanabara de ter algumas decisões inesquecíveis nos seus primeiros 29 anos. A explicação: quando duas equipes terminavam a competição empatadas na primeira colocação, elas disputavam uma partida para decidir quem ficava com o caneco. Na prática, era uma final. Listamos as cinco decisões mais memoráveis da história do torneio:

1º) O nascimento de uma estrela

Botafogo 3 x 2 América - 20/8/1967

Certamente muitos torcedores do Botafogo ficaram surpresos ao conhecer a escalação do time para a final da Taça Guanabara de 1967, contra o América. Nela constava o nome do desconhecido ponta-esquerda Paulo César, destaque das categorias de base do clube. O garoto de 18 anos fez seu primeiro jogo oficial pelo time principal justamente em uma decisão. E não se intimidou nem um pouquinho. O ponta abriu o placar logo no começo da partida e, depois de o América virar o jogo, marcou seu segundo tento na final, levando a disputa para a prorrogação. Faltando poucos minutos para o encerramento do tempo extra, Paulo César marcou seu terceiro gol na decisão e deu o título ao Botafogo. Aquela estreia gloriosa serviu para impulsionar a carreira do ponta, que nos anos seguintes, com o apelido Caju incorporado ao nome, tornou-se uma das maiores estrelas do futebol brasileiro, tendo no currículo a participação em duas Copas do Mundo - uma delas, a de 1970, em que, mesmo como reserva, foi um personagem importante da campanha vitoriosa do Brasil.

2º) Romário prova que é o Rei do Rio

Flamengo 3 x 2 Botafogo - 23/3/1995

No começo de 1995, o futebol carioca estava em polvorosa por causa da espetacular volta de Romário ao Brasil para jogar pelo Flamengo. Pouco antes de seu retorno, o Baixinho havia sido eleito pela Fifa o melhor jogador do mundo em 1994. Estava, portanto, no auge. Auto-proclamado o Rei do Rio, Romário tinha em Túlio, maior estrela do Botafogo, um dos dois rivais na disputa pela fictícia honraria (o outro era Renato Gaúcho, então no Fluminense). Na decisão da Taça Guanabara, Romário e Túlio se enfrentaram e o triunfo do rubro-negro sobre o alvinegro foi acachapante. Túlio passou em branco, mas Romário não. Ele marcou os três gols da vitória do Flamengo por 3 a 2 e conquistou seu primeiro título depois da volta ao País. O último gol do Baixinho naquele jogo nenhum flamenguista esquece. A poucos minutos do fim, com a partida empatada por 2 a 2, o atrapalhado zagueiro botafoguense Márcio Theodoro tentou fazer um recuo de cabeça para o goleiro Wagner e entregou a bola de presente para Romário, que não perdoou a falha. E a torcida do Flamengo, feliz da vida, "homenageou" o pobre adversário com o grito: "Márcio, Te Adoro!".

3º) Um erro que Zico não esquece

Vasco 1 (5) x 1 (4) Flamengo  - 13/6/1976

No último dia 3, o Galinho de Quintino comemorou seu 60º aniversário e, por causa dessa efeméride, seus feitos inesquecíveis foram exaltados pelo Brasil afora. Um deles é o fato de Zico ser o maior artilheiro do Maracanã, com 333 gols. Mas ele também viveu momentos dramáticos no seu estádio preferido. Como na decisão da Taça Guanabara de 1976, entre Flamengo e Vasco. Roberto Dinamite colocou os vascaínos em vantagem logo no comecinho do jogo e, no segundo tempo, o Flamengo empatou com um gol de Geraldo, craque que morreu dois meses depois daquela decisão, durante uma corriqueira cirurgia para retirada das amídalas. O 1 a 1 levou a disputa do título para os pênaltis e o erro de Abel (hoje técnico do Fluminense) logo na primeira cobrança abriu o caminho para a vitória rubro-negra. O último batedor do Flamengo era Zico e bastava ele fazer o gol para o time ser campeão, mas Zico chutou mal e o goleiro Mazarópi defendeu. Depois, Geraldo também errou e o Vasco faturou o título. Foi uma das maiores tristezas da carreira do Galinho, que lamenta aquele pênalti perdido até hoje.

4º) Tardelli vive dia de herói rubro-negro

Flamengo 2 x 1 Botafogo - 24/2/2008

A passagem de Diego Tardelli pelo Flamengo esteve longe de ser gloriosa, mas o ídolo da torcida do Atlético-MG teve seu dia de herói dos rubro-negros. Foi na decisão da Taça Guanabara de 2008. A partida contra o Botafogo estava empatada por 1 a 1 quando, a poucos minutos do fim, o técnico Joel Santana colocou Tardelli em campo. Parecia impossível que o atacante decidisse o jogo em tão pouco tempo, mas o impossível aconteceu aos 46 minutos. Ele recebeu um passe de Léo Moura e, da entrada da área, mandou um chute colocado, cheio de curva, que deixou sem pai nem mãe o goleiro uruguaio Castillo. O Maracanã entrou, então, em ebulição, mas ainda houve tempo para o zagueiro Edson mandar uma cabeçada na trave e quase estragar o dia perfeito de Diego Tardelli. Felizmente para ele, e para a torcida rubro-negra, o Botafogo ficou no quase.

5º) Festa do Interior no Maracanã

Volta Redonda 0 (3) x 0 (2) Americano - 20/2/2005

A edição de 2005 da Taça Guanabara tem um lugar especial na história do torneio por ter sido a única sem a presença de nenhum dos quatro grandes clubes cariocas na final. Volta Redonda e Americano "invadiram" o Maracanã, que naquela tarde recebeu cerca de 35 mil torcedores, para disputar uma partida que esteve longe de ser brilhante, mas teve a tensão que caracteriza as decisões. O empate por 0 a 0 no jogo que ficou conhecido como Festa do Interior levou a disputa do troféu para os pênaltis, e quem se deu melhor naquele momento foi o Volta Redonda. A estrela do time campeão era Túlio, na época já um veterano em irrefreável decadência. Mesmo sem ter feito gols no tempo normal - nem participado da decisão por pênaltis -, o atacante falastrão monopolizou as atenções dos fotógrafos na comemoração do título.

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