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Taça Jules Rimet, troféu dado aos primeiros campeões da Copa do Mundo da Fifa Arquivo / Estadão

Taça Jules Rimet foi roubada duas vezes e recuperada apenas uma; conheça história

Troféu passou a ser propriedade da seleção brasileira após ser a primeira a conquistá-lo três vezes

Gonçalo Junior, O Estado de S. Paulo

01 de janeiro de 2020 | 04h31

Em 1928, o Congresso da Fifa decidiu que a equipe campeã da Copa do Mundo de 1930, a primeira da história, seria recompensada com uma taça. O então presidente da Fifa, Jules Rimet, ordenou que o troféu fosse feito em ouro e que sua posse definitiva ficasse com o vencedor de três edições da Copa. À época, os dirigentes consideravam o feito praticamente impossível. O Brasil precisou apenas de 40 anos para fazê-lo.

Depois das conquistas de 1958 e 1962, o Brasil se tornou tricampeão no México. A taça veio definitivamente para o Brasil e passou a exposta na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), na Rua da Alfândega, 70, centro do Rio de Janeiro. Na noite do dia 19 de dezembro de 1983, a taça foi roubada. Além da importância para a história do futebol, a taça também possuía um grande valor comercial. Na época do roubo, o troféu era avaliado em R$ 189 mil.

O roubo foi planejado por Sérgio Peralta, representante do Atlético-MG na CBF e que tinha grande conhecimento do prédio. Ele foi condenado a nove anos de prisão e morreu em agosto de 2003. O ourives Juan Carlos Hernandez, responsável pela fundição da taça, foi condenado a três anos de prisão.

O roubo à sede da CBF não foi o primeiro na história da Jules Rimet. Em 20 de março de 1966, quatro meses da Copa do Mundo na Inglaterra, a taça desapareceu de uma exposição em Londres. Uma força tarefa de policiais ingleses trabalhou para solucionar o caso. Um pedido de resgate chegou a ser enviado, mas um cachorrinho chamado Pickles achou o troféu embrulhado em papéis de jornal em um jardim. O suspeito Edward Betchley declarou que realizou o roubo a mando de outra pessoa e passou apenas dois anos preso por extorsão. O roubo nunca chegou a ser totalmente esclarecido.

Taça atual

O troféu atual da Copa do Mundo é a Taça Fifa, criada pelo artista italiano Silvio Gazzaniga. Ela tem 36 centímetros de altura e pesa 4,97 quilos. Sua base é feita de malaquita – um metal semiprecioso – e a imagem que mostra dois jogadores celebrando da vitória e o globo terrestre foi produzida em ouro 18 quilates. Atualmente, os campeões não recebem a posse definitiva do troféu. Para ganhar uma réplica, cada país precisa vencer a competição três vezes.

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Pesquisadores produzem réplica da Taça Jules Rimet para celebrar 50 anos do tri

Especialistas da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC-USP) criaram tecnologia para impressão 3D em metal

Gonçalo Junior, O Estado de S. Paulo

01 de janeiro de 2020 | 04h30

O troféu Jules Rimet sempre foi cercado de histórias. Na Copa de 1970, a seleção brasileira conquistou a sua posse definitiva após o tri mundial. Em 1983, o símbolo da glória do futebol País foi roubado da sede da CBF e acabou derretido. Escândalo. Três anos depois, a CBF recebeu outro troféu, oferecido pela Fifa para substituir o primeiro. Hoje, pesquisadores da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC-USP) estão levando adiante a mística do troféu ao construir uma réplica com uma técnica inovadora de impressão 3D em metal. Depois de pronta, a taça será doada para a CBF para comemorar os 50 anos da conquista no México, celebrados neste ano.

Os especialistas do Laboratório de Processos Avançados e Sustentabilidade (LAPRAS) desenvolveram uma nova tecnologia de impressão 3D em metais. A grosso modo, é uma impressora 3D que utiliza o metal como matéria-prima – o processo tradicional usa o plástico.

Para a produção da taça, o laser vai fundindo o metal em pó em temperaturas superiores a 1700 graus centígrados e esculpindo a peça no formato desejado. Nas impressoras que usam plásticos (polímeros), as temperaturas chegam apenas a 200 graus. A taça vai demorar entre oito a dez horas para ficar pronta. É a primeira máquina brasileira que faz o processo híbrido, ou seja, deposita o metal (aço inox) e também faz a usinagem para o acabamento. O projeto de pesquisa já dura dois anos.

A réplica será produzida em tamanho natural. A taça original, feita de prata esterlina revestida de ouro, mede 35 centímetros e pesa cerca de 3,8 quilos. No centro, a deusa Nike (ou Nice) segura uma figura octogonal que representa a vitória, a força e a velocidade. A base azul tem pedras semipreciosas incrustadas. A réplica de São Carlos será feita em aço inoxidável e banho de ouro.

O projeto, financiado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo), foi um dos destaques do 1º Workshop de Manufatura Híbrida, realizado em São Carlos e que contou com a presença dos principais centros de pesquisa do País. O evento marcou a doação da impressora 3D de metais, avaliada em R$ 2 milhões, pelas Indústrias Romi à Escola de Engenharia de São Carlos.

A fabricação digital, ou fabricação aditiva, está transformando os processos de fabricação e produção. A tecnologia pode ser aplicada em diversas situações. Na área médica, pode servir para prótese humana, por exemplo. Tem uso da área aeroespacial à produção de petróleo passando por objetos de decoração. “Podemos fabricar peças complexas em materiais metálicos, os mais diversos possíves, com uma rapidez maior. Isso não era possível anos atrás”, explica Reginaldo Teixeira Coelho, coordenador do Laboratório de Processos Avançados e Sustentabilidade (LAPRAS) no Departamento de Engenharia de Produção da EESC-USP.

Falar da Jules Rimet é despertar a paixão de torcedor de cada brasileiro, inclusive dos pesquisadores. É um objeto que ultrapassa a discussão sobre os avanços da tecnologia e da ciência. “Eu tinha sete para oito anos quando o Brasil ganhou a Copa do Mundo. Foi uma festa imensa no bairro. É uma honra fazer uma réplica da taça com uma tecnologia de última geração”, afirma o professor Reginaldo Coelho.

Kandice Barros, aluna de doutorado em Engenharia Mecânica e participante da pesquisa, explica que o projeto é multidisciplinar. “É um processo novo, poucas universidades no mundo estão pesquisando essa área. Um projeto assim envolve mais que desenho. É uma forma de celebrarmos a Copa de 1970 e conquistar a nossa Copa do Conhecimento”, diz a pesquisadora.

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