Tacuary: o adversário misterioso

Reforçar em todas as declarações o favoritismo do Palmeiras e manter a equipe o maior tempo possível longe da mídia. Arquitetada pelo presidente do Tacuary, Francisco Ocampo, a estratégia extracampo do adversário palmeirense desta quarta-feira no jogo de volta da fase classificatória da Copa Libertadores teve detalhes pitorescos.O grupo se hospedou, incógnito, em um hotel da Alameda Lorena, zona sul de São Paulo, à meia noite de domingo. Registrou-se como São Francisco, para despistar a imprensa - nem mesmo no Paraguai os jornalistas sabiam dizer o paradeiro do time. Na segunda pela manhã, passearam pelo Parque Ibirapuera. À tarde, o primeiro treino, em um remoto clube da Vila Guilherme: Centro da Coroa Futebol Clube. "Não era para ficar longe de ninguém, foi apenas o espaço que conseguimos", explicou o dirigente. Ele garante ter havido um problema de comunicação. "Não havia motivo para não saberem onde estávamos. Avisamos todo mundo do nosso país e pedimos ao Palmeiras para divulgar nossa localização." Alguns fatos, no entanto, além do registro no hotel com nome trocado, levam a crer que Ocampo não disse toda a verdade. Até a manhã desta terça, a assessoria de imprensa palmeirense desconhecia o local onde estava a delegação. No país de origem do Tacuary, a informação oficial era a de que o time viria segunda-feira ao Brasil. E tem mais. Um grupo de jogadores aproveitou a tarde desta terça para conhecer um shopping center da capital. Ao taxista que os levava, um atleta faltou jurar de pés juntos ao dizer que fazia parte de uma equipe de futebol mexicana e não tinha nada a ver com os oponentes do Palmeiras.Com os pés no chão, o técnico Oscar Paulín não espera muito, quer apenas que seus comandados dêem o máximo em campo. "Mentalmente, estamos bem, acreditamos em nós. Não há qualquer tática especial, basta jogarmos o que sabemos." Tanto para treinador e delegação, o simples fato de ter chegado à fase classificatória do torneio já é uma imensa conquista - a primeira partida, em Assunção, terminou empatada em 2 a 2. "Nós somos um clube pequenininho, que conseguiu cavar seu espaço", disse, modestamente, Paulín. "Mesmo se perdermos, teremos escrito uma página importante de nossa história." "Você já ouviu falar em Asa de Arapiraca?", perguntou o provocador Ocampo ao treinador. O presidente do clube havia acabado de ser informado sobre a existência da zebra alagoana que eliminou o Palmeiras na Copa do Brasil de 2002. "Não conheço, do que se trata", respondeu Paulín. "É um time que palmeirense não pode nem ouvir falar", explicou o dirigente. E acrescentou: "Pois então, devemos nos espelhar neles. Nos damos bem sempre que não somos favoritos." Foi assim que o recém-nascido Tacuary, com menos de dois anos como profissional, conquistou a vaga na repescagem do torneio sobre o tradicional Olimpia, três vezes campeão da Copa Libertadores. "Ninguém acreditava na gente, como agora", lembra Ocampo. Ele acredita que a equipe terá a seu lado no Palestra Itália 38 torcedores - número de pessoas da delegação. "E mais a torcida do Corinthians inteira, espero."

Agencia Estado,

09 de fevereiro de 2005 | 08h16

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