Tapia, ex-Santos, anuncia aposentadoria

O goleiro Nelson Tapia, que jogou pelo Santos em 2004 e disputou 73 jogos pela seleção chilena, inclusive da Copa do Mundo de 1998, decidiu encerrar sua carreira aos 39 anos após se desligar do Atlético Junior de Barranquilla, da Colômbia. "Há dois anos, eu sentia falta do campo, do vestiário, das viagens com meus companheiros no ônibus, mas agora não. Na verdade, não me custa muito assumir que é hora de dizer adeus", disse Tapia em entrevista publicada hoje pelo jornal chileno El Mercurio. A única possibilidade de prolongar sua carreira seria uma oferta do Cobreloa, time pelo qual conquistou dois títulos, mas o próprio goleiro considera essa hipótese "quase impossível". Comentando sua saída antecipada do Atlético Junior, Tapia disse que o clube de Barranquilla não era tão grande como ele pensava, mas reconheceu que mesmo assim ele não conseguiu cumprir as expectativas dos colombianos. "Cheguei muito machucado e isso se sente na minha idade". A última partida de Tapia foi na goleada do Brasil sobre o Chile, por 5 a 0, em Brasília, pela 17ª rodada das eliminatórias da Copa 2006. Ele sofreu uma saraivada de críticas da imprensa, que o apontou como o grande culpado pela humilhação da seleção, e perdeu a condição de titular nos jogos seguintes, contra a Colômbia (1 a 1) e o Equador (0 a 0). Tapia foi criticado até por ter trocado de camisa com Robinho, de quem foi companheiro no Santos, no final do primeiro tempo, quando o Brasil já vencia por 3 a 0. O goleiro considerou injustas as críticas, e afirmou que globalmente sua carreira, na qual se destaca a medalha de bronze olímpica obtida pelo Chile nos Jogos de Sydney 2000, esteve "cheia de sucessos". "Você fala dos cinco gols do Brasil e eu te respondo com os 3 a 0 das eliminatórias anteriores (sobre os brasileiros). Você me diz que eu fracassei no Júnior, e que no Vélez (Sarsfield, da Argentina) me contundi, mas fui campeão no Santos jogando 22 partidas no Brasileirão", afirmou. Morando desde que voltou da Colômbia em Molina, seu povoado natal, 227 quilômetros ao sul de Santiago, o goleiro disse que seus planos futuros incluem a criação de um clube de esportes e cultura, além da carreira de técnico. "Após 20 anos, sei como conduzir os grupos. Fiquei com vontade depois de trabalhar seis meses com Vanderlei Luxemburgo. A forma como ele trabalha com o grupo me impressionou", disse.

Agencia Estado,

30 de outubro de 2005 | 14h41

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.