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Tática e coração

Palmeiras irá a Itaquera para atacar, agredir, buscar três pontos. O Corinthians mudará?

Mauro Cezar Pereira, O Estado de S.Paulo

30 Outubro 2017 | 03h00

Um time que precisava vencer, se impor, mostrar força em seu momento de maior fragilidade no campeonato, mas que nos primeiros 45 minutos aceitou um jogo cadenciado, morno, arrastado. Ritmo incompatível com a equipe que necessita reagir no Brasileiro. Choca dentro do contexto ver um Corinthians com momentos sem gana, incapaz de se impor, que não demonstra um maior desejo pela tão necessária vitória.

O time tático do turno já não funciona tão bem. Então é preciso algo mais. O jogo se desenvolve a partir do que é treinado, da estratégia traçada, da maneira como uma equipe põe suas ações em prática e anula os pontos fortes do adversário. Mas há momentos em que a frieza do estratagema não basta. Hora de marcar em cima, sufocar o oponente, pressionar intensamente não só quando em desvantagem no placar. 

A partida era insossa, arrastada, cômoda para a Ponte Preta, em casa, também precisando de pontos para não ser rebaixada, contudo, sem um décimo da cobrança, da pressão, da expectativa, da responsabilidade que repousa sobre os ombros corintianos. Bastou encaixar um bom ataque: 1 a 0, gol de Lucca. “Lei do ex” com o autor do tento único do cotejo quebrando seu jejum de 14 partidas sem marcar. A sorte, pelo jeito, tirou férias.

Nessas horas, lances capitais escancaram como a receita deixou de funcionar. Cinco jogadores do Corinthians na própria área, além do goleiro Cássio, três ponte-pretanos à espera do cruzamento, e um deles, livre, mergulha para cabecear rumo às redes. Fosse no primeiro turno não veríamos tamanha liberdade à disposição do artilheiro. 

Sim, no segundo tempo o Corinthians criou chances e Aranha brilhou. O irregular goleiro estava inspirado e impediu o empate ante seis finalizações. Mas o volume apresentado também refletiu o recuo da Ponte para segurar a vitória. Foram 25 cruzamentos, apenas quatro certos, e até lateral na área os corintianos bateram. Sem resultado, como em 99% das vezes. Faltou repertório, postura mais intensa, agressiva.

A aproximação do Palmeiras assusta alvinegros, que mantêm seis pontos de vantagem, mas ainda hoje podem ver a diferença cair para três. Se isso acontecer, no domingo os rivais se enfrentarão em Itaquera com os palmeirenses podendo igualar a pontuação e assumir a ponta pelos critérios de desempate. Será que em uma semana o Corinthians renovará o espírito, a postura? Terá maior ímpeto?

Para ficar com o título, precisará mudar o comportamento, pois não há dúvida de que o campeão brasileiro, agora dependendo só dele para o bi; irá à zona leste buscar a vitória. Vai atacar. A frieza, que foi a qualidade de outros momentos, pode ser um veneno mortal para os corintianos no confronto que envolverá ainda mais tática e coração. 

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