J. B. Neto/AE
J. B. Neto/AE

Técnico 'copeiro' embala o São Paulo na Sul-Americana

Ney Franco busca seu primeiro título no Morumbi

CIRO CAMPOS, Agência Estado

22 de novembro de 2012 | 08h05

SÃO PAULO - Em uma competição no formato mata-mata, ajuda bastante ter um treinador com bom retrospecto nesse tipo de torneio. E o São Paulo tem. Ney Franco disputou em sua carreira 38 confrontos eliminatórios e saiu vencedor em 28 deles - um ótimo aproveitamento de quase 74%. Esse espírito "copeiro" do técnico será um dos trunfos da equipe tricolor no jogo desta quinta-feira contra a Universidad Católica, às 20h15 (de Brasília), em Santiago, na abertura da semifinal da Copa Sul-Americana.

Ney Franco sabe que preparar uma equipe para um torneio mata-mata e para um por pontos corridos são coisas diferentes - e ele acredita que o trabalho do treinador é menos complicado no primeiro caso. "Em mata-mata é mais fácil mobilizar o jogador para as partidas, que têm uma entrega emocional maior, ao contrário dos campeonatos longos, em que o grupo pode ter a impressão de que um erro pode ser recuperado futuramente".

O sucesso em duelos eliminatórios deu ao treinador cinco títulos: Mineiro, Carioca, Taça Guanabara (primeiro turno no Campeonato Carioca), Copa do Brasil e Mundial Sub-20. E Ney Franco não é o único são-paulino a exaltar o mata-mata. "É até melhor ter essa pressão do mata-mata porque você entra mais ligado e determinado em campo", comentou Luis Fabiano.

Certamente o treinador não terá problemas para motivar seus comandados. Para começar, o São Paulo não disputa uma decisão de um torneio internacional desde 2006, quando foi vice-campeão da Copa Libertadores. Além disso, o clube deseja muito quebrar um jejum de quatro anos sem títulos - o último foi o do Campeonato Brasileiro de 2008.

Há ainda o fato de o São Paulo ser o único clube grande paulista que não levantou uma taça nesta temporada e o fortíssimo desejo de Lucas de se despedir com um título - no fim do ano ele vai se transferir para o Paris Saint-Germain, da França.

A experiência do treinador "copeiro" pode ajudar o São Paulo a superar o trauma das semifinais. Desde 2007, o time foi eliminado seis vezes seguidas nessa etapa do Campeonato Paulista, além de ter perdido a semifinal da Libertadores de 2010 para o Internacional e a da Copa do Brasil deste ano para o Coritiba.

Ironicamente, a melhor campanha do São Paulo em uma Copa Sul-Americana terminou exatamente na semifinal. Em 2003, o algoz dos tricolores foi o River Plate, na decisão por pênaltis. O goleiro Rogério Ceni e Luis Fabiano são os jogadores do elenco são-paulino que estavam no clube naquela ocasião.

CARTÃO DE VISITAS

Já classificado para a Libertadores do ano que vem (vai entrar na fase classificatória, a chamada pré-Libertadores), o São Paulo pode se dedicar exclusivamente à disputa pelo título da Sul-Americana - que servirá como "vestibular" para o ano que vem. "Jogar um torneio internacional e vencer vai dar mais confiança, o time entra em 2013 melhor. Além disso, é mais um título, é sempre algo a mais para o torcedor, satisfaz o são-paulino, agrada. Seria bom para o próximo ano", disse Rogério Ceni.

Ney Franco deverá manter o time dos últimos jogos, mas isso depende do zagueiro Rafael Toloi, que tenta se recuperar de uma lesão no tornozelo esquerdo sofrida durante o jogo do último domingo contra o Náutico. Se ele não tiver condições de disputar a partida, Edson Silva será escalado para o lugar. Paulo Henrique Ganso ficará mais uma vez no banco de reservas e, assim como no domingo, deverá entrar no segundo tempo ganhar rimo de jogo.

O treinador promete manter a postura ofensiva do São Paulo, com três atacantes, assim como foi no confronto contra a Universidad de Chile, pelas quartas de final. Só que desta vez o time deve encontrar menos espaço para jogar, pois espera que o adversário não se arrisque tanto no ataque.

Sob o comando de um especialista em mata-mata, o São Paulo definiu que fazer gols fora de casa é a melhor forma de encaminhar a classificação. O time fez isso nas três fases anteriores e contribuiu para isso as boas atuações da defesa, a melhor da competição, com apenas um gol sofrido. Se mantiver o bom retrospecto no jogo desta quinta, o time terá boas chances de confirmar a classificação no jogo de volta, no próximo dia 28, e vai ajudar Ney Franco a aumentar a fama de "copeiro".

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