Técnico da França garante que "Bleus" serão campeões

A presença na final deixou Raymond Domenech todo prosa. O técnico da França encheu-se de tamanha confiança no título que mandou às favas a máxima do barão Pierre de Coubertin, criador dos Jogos Olímpicos. Na avaliação do comandante dos "Bleus", trata-se de conversa fiada afirmar que o importante é competir, como apregoava seu nobre patrício. "Há algum tempo risquei Coubertin do meu vocabulário", disse o treinador, apreciador de frases de efeito, amigos de cineastas e diretores de teatro. "Domingo, estaremos em Berlim para ganharmos o título e não apenas para participar da final", garantiu, em entrevista coletiva em Hamerlin, onde sua seleção montou base desde que desembarcou na Alemanha, um mês atrás. O jogo de palavras mostra o espírito com que os franceses se preparam para enfrentar os rivais italianos. Desde quinta-feira, Domenech se comporta como porta-voz do grupo e apela para o discurso da união, da superação, da solidariedade para explicar as chaves do sucesso na competição deste ano. No melhor estilo manual de auto-ajuda, recordou que o time garantiu presença na festa do Estádio Olímpico depois de contrariar prognósticos gerais."Estivemos sempre com a faca na garganta", afirmou Domenech, com exagero, para mostrar como foi forte a pressão sobre uma geração vencedora e que está pronta para dar passagem aos novos talentos. "Chegou um momento em que nos demos conta de que ou nos uníamos ou seríamos massacrados." Dramaticidade à parte, Domenech tem razão. Na arrancada final das Eliminatórias, em amistosos e até nas duas primeiras apresentações no Mundial, a França era criticada e muitos jogadores dados como acabados. A reação veio a partir da vitória sobre Togo e ganhou força com a eliminação de Espanha e Brasil. Agora, avalia o técnico, chegou o momento da consagração, o teste final contra um adversário histórico e especial, que merece sua admiração."Os italianos têm talento, força tática e mental", afirmou. "São modelo de perseverança, como ficou comprovado nos 2 a 0 sobre a Alemanha." Por isso, o desafio tem sabor especial para Domenech. Sem contar que, seis anos atrás, a Itália foi batida pela França na final da Eurocopa organizada em conjunto por Holanda e Bélgica. Os italianos venciam por 1 a 0 até os 48 minutos do segundo tempo, com gol de Delvecchio, quando permitiram o empate de Wiltord. Depois, caíram com o gol de ouro marcado por Trezeguet aos 8 minutos da etapa final da prorrogação. Domenech espera que, se for para repetir a história, que seja novamente a favor de sua seleção.

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