Evelson de Freitas/AE
Evelson de Freitas/AE

Técnico de futebol no Brasil é um dos cargos mais instáveis do mundo

Ao fim da 30.ª rodada do Brasileirão, 40 técnicos passaram entre as 20 equipes que disputam a Série A

21 de outubro de 2010 | 09h53

RIO - O cargo de técnico de um time de futebol no Brasil se tornou um dos trabalhos mais instáveis do mundo, já que ao assinar o novo contrato, o profissional já está ameaçado de demissão.

A chegada de Tite ao Corinthians nesta quarta-feira representou a soma do exagerado número de 40 treinadores entre as 20 equipes que integram a primeira divisão do Campeonato Brasileiro, que acaba de superar sua 30.ª rodada.

Destes 40, 29 chegaram a assinar um contrato, enquanto os 11 restantes dirigiram suas equipes de forma interina, uma condição que não deve ser desprezada, já que alguns desses substitutos tiveram mais estabilidade que vários dos chamados fixos.

O interino Sergio Baresi dirigiu o São Paulo em 14 rodadas, superando facilmente a marca de, Silas, por exemplo, que mal aguentou 36 dias no comando do Flamengo, atual campeão nacional, mas que anda à deriva na metade da tabela em 2010.

Para tentar corrigir este surto de mudanças, o rubro-negro ofereceu um contrato de longa duração a Vanderlei Luxemburgo, de nada menos que 27 meses.

Antes de assinar com o Fla, Luxemburgo já tinha provado o sabor da demissão este ano no Atlético-MG, uma situação que pode acontecer no Brasil porque não existe um limite para esta autêntica "dança das cadeiras", como ocorre em países da Europa.

Um total de 9 treinadores dirigiram equipes diferentes este ano, aos que é necessário acrescentar o caso peculiar de Ricardo Silva, afastado pelo Vitória em agosto e contratado de novo um mês depois.

O Grêmio Prudente é a equipe que lidera a lista, com quatro técnicos, enquanto apenas três equipes resistiram às 30 partidas com os mesmos comandantes do início: o Fluminense, com Muricy Ramalho; o Botafogo, com Joel Santana; e o Guarani, com Vágner Mancini.

Nem todas as mudanças foram fruto de demissões, já que Mano Menezes deixou o Corinthians para ser o técnico da seleção, enquanto outros dois técnicos fizeram o mesmo, mas para assumirem equipes rivais.

Um deles foi Paulo César Gusmão, que trocou o Ceará pelo Vasco, para substituir Celso Roth, que aceitou o desafio de comandar o Internacional na reta final da caminhada que culminou no título da Taça Libertadores.

Por sua vez, Paulo César Carpegiani abandonou o Atlético-PR diante de uma oferta melhor do São Paulo.

Nem todos foram mandados embora simplesmente pelos maus resultados. Rogério Lourenço, por exemplo, que disse adeus ao Flamengo pela pressão da torcida, segundo argumentou o então diretor executivo do clube, Zico.

O Santos abriu mão dos serviços de Dorival Júnior por ter castigado o jovem Neymar, estrela do elenco, além do que a diretoria achava necessário.

Para a direção do 'Peixe', a ameaça de deixar o meia-atacante no banco por duas partidas seguidas representou uma causa suficiente para demitir seu técnico mais bem-sucedido dos últimos cinco anos. Sob o comando de Dorival, a equipe foi campeã paulista e da Copa do Brasil.

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