Fracnk Fife/ AFP
Fracnk Fife/ AFP

Técnico de Megan Rapinoe diz que estrela não comparecerá a evento da NWSL

Torneio de Utah é uma nova competição pensada pela liga como forma de garantir que seja disputado algum tipo de campeonato nessa temporada

Andrew Keh NYT, The New York Times

06 de junho de 2020 | 11h00

A maior estrela do futebol feminino, Megan Rapinoe, não estará em campo quando a Liga Nacional de Futebol Feminino (NWSL) se tornar uma das primeiras ligas esportivas dos Estados Unidos a retomar as atividades no fim do mês, de acordo com o técnico dela.

A aparente decisão de Megan de não participar de um torneio com duração prevista de um mês a ser realizado em Utah — Megan, seu agente e sua equipe não confirmaram que ela tivesse tomado uma decisão irreversível de não jogar — foi revelada por seu novo técnico, Farid Benstiti, em entrevista ao jornal francês Le Progrès.

“Entendo os motivos dela, mas fico desapontado e frustrado em saber que ela não estará conosco na disputa desse campeonato", disse Benstiti ao Le Progrès. “Megan é importante para o grupo, e poderíamos sonhar com um grande resultado se ela participasse. A equipe sentirá falta dela, e o futebol feminino também.”

O torneio de Utah, batizado de NWSL Challenge Cup, é uma nova competição pensada pela liga como forma de garantir que seja disputado algum tipo de campeonato nessa temporada, em meio à pandemia do coronavírus.

Para realizar o evento, a liga vai reunir seus nove times e deixá-los parcialmente de quarentena em Utah enquanto disputam uma série de partidas seguidas por uma breve rodada eliminatória. Durante o torneio, a NWSL vai hospedar as jogadoras e os funcionários do time, testando-os repetidas vezes para evitar infecções pelo vírus que já contagiou mais de 1,8 milhão de americanos, dos quais mais de 107.000 morreram.

Antes de anunciar o evento, a liga debateu com as jogadoras na tentativa de dar-lhes garantias, tanto em relação às questões de saúde e os protocolos seguidos para os testes quanto dúvidas ligadas à família e aos riscos de lesões por conta de uma agenda apertada, na qual a maioria das partidas será disputada em gramado sintético.

Ao revelar os planos para a realização do torneio após semanas de negociações discretas, a liga e o sindicato das atletas fizeram questão de deixar claro que cada jogadora teria o direito individual de escolher se participaria ou não do evento, garantindo que não haveria consequências para quem decidisse ficar de fora. De acordo com a liga, independentemente da participação, os salários e benefícios de todas as jogadoras estariam garantidos para o restante de 2020.

As integrantes da seleção americana, consideradas as grandes estrelas da liga, recebem seus salários da NWSL e da seleção por meio de contratos com a Federação Americana de Futebol, e responderam com uma mistura de confirmações, ausências e indecisões de acordo com várias pessoas informadas a respeito dos planos do grupo. Poucas jogadoras declararam publicamente suas intenções, entre elas Megan.

O agente de Megan, Dan Levy, não respondeu aos pedidos de entrevista para dar informações a respeito da situação dela. A porta-voz do time dela, OL Reign, não respondeu. A NWSL não quis comentar as declarações de Benstiti à mídia francesa falando a respeito da decisão de Megan.

O fato de Megan Rapinoe, 34 anos, optar por não participar da competição não chega a surpreender. As equipes jogarão na grama artificial até a semifinal e final do torneio da NWSL. O predomínio das superfícies artificiais nas partidas é um ponto de conflito no futebol feminino há anos, ao ponto de dezenas das melhores jogadoras do mundo terem processado a FIFA, órgão responsável pelo esporte, na tentativa de acabar com elas antes da Copa do Mundo de futebol feminino disputada em 2015 no Canadá. Meses após a conquista do título pela seleção americana naquele campeonato, Megan rompeu o ligamento cruzado do joelho direito enquanto treinava em um gramado artificial em uma das partidas amistosas da seleção para celebrar a vitória. Ela também sofreu uma lesão no menisco do joelho esquerdo em 2017.

Muitas atletas estão preocupadas com a possibilidade de lesões em meados do ano  antes do evento em Utah porque o tempo de treinamento para as jogadoras será encurtado, e muitas delas não puderam manter o ritmo normal dos treinos com o confinamento em casa.

E se algumas jogadoras podem se sentir pressionadas a participar para seguirem com moral em seus times, Megan, uma das estrelas mais populares do esporte, não correria risco de perder espaço no OL Reign.

Ainda assim, é claro que a NWSL sentiria a falta de Megan e de qualquer outra atleta americana de ponta que decidir não participar. Megan foi eleita a melhor jogadora do campeonato depois de comandar a seleção dos EUA na conquista da Copa do Mundo de futebol feminino de 2019, quando aproveitou o destaque recebido e a própria eloquência para abordar uma série de questões sociais.

Megan não estará totalmente fora dos holofotes em meados do ano. No dia 21 de junho, será apresentadora da premiação anual ESPY Awards, da ESPN — em cerimônia virtual — ao lado da namorada, a estrela do basquete feminino Sue Bird, e o quarterback Russell Wilson, da NFL. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.