Wong Maye-E/AP
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Técnico do Japão garante: 'Brasil é top 4 do mundo'

Técnico do Japão afirma que, sob o comando de Dunga, todos têm de correr em campo, sendo famosos ou não

Entrevista com

Javier Aguirre

Raphael Ramos - Enviado especial a Cingapura, O Estado de S. Paulo

13 de outubro de 2014 | 06h00

O Japão enfrenta o Brasil nesta terça-feira, às 7h45 (horário de Brasília), no Estádio Nacional de Cingapura, ciente de que para acabar com o tabu de nunca ter derrotado a seleção precisará estar "bem" e adversário "mais ou menos". Essa é a avaliação que o técnico Javier Aguirre fez em entrevista ao Estado. O mexicano, que assumiu o Japão depois da Copa do Mundo, reconhece a superioridade e exalta as mudanças feitas desde a chegada de Dunga. Para ele, agora na seleção todos os jogadores correm, "famosos ou não". 

ESTADÃO - Como o senhor encara esse amistoso com o Brasil?

Vai ser muito difícil para nós porque o Brasil é top 4 do mundo, como as seleções da Alemanha, Argentina e Itália. Se você não jogar focado, se complica. Farei nossos jogadores entenderem isso e, baseado nesse entendimento, teremos que jogar bem. Tive experiência de jogar contra o Brasil como jogador e técnico. Posso te dizer que o jogo do Brasil é assistido na Espanha, Arábia Saudita e Rússia. Quem mostrar boa performance se destaca no mundo.

ESTADÃO - Qual é a sua avaliação sobre Brasil na última Copa do Mundo? 

O Brasil estava em um dia que não era dele. Se você joga contra a Alemanha num desses dias, podem acontecer coisas com as que aconteceram. Foi o pior dia da história do Brasil. Quando você joga com o Brasil, é muito difícil derrotá-los, mesmo em amistosos ou jogos da Copa América, Copa do Mundo ou Eliminatórias. Você não será capaz de derrotá-los se não tiver totalmente concentrado.


ESTADÃO - O que faltou ao Brasil?

O que se pode dizer sobre a Copa do Mundo é que a Alemanha fez um bom campeonato. A Alemanha era o melhor time e estava em condições de derrotar qualquer seleção. O Brasil não foi mal, mas como jogou em casa isso pode ter influenciado negativamente o time a levar sete gols da Alemanha. Mas acho que o Brasil já superou isso. Agora tem um novo técnico, novos jogadores e ganharam as últimas três partidas.

ESTADÃO - Na sua opinião, o que mudou na seleção brasileira depois da Copa?

O Brasil agora é um time mais jovem, que corre muito e trabalha sem a bola. A filosofia é de que todos no time, famosos ou não, têm que fazer isso.

ESTADÃO - O Japão nunca ganhou do Brasil, como pretende acabar com esse tabu?

Primeiro você tem de ter uma boa defesa para não deixar o Brasil sair na frente, e deve atuar com eficiência e precisão. Quando tiver uma oportunidade de marcar, tem de aproveitar. Como não acho que teremos mais do que três oportunidades, temos que marcar as três, se tivermos três. Se o Japão estiver bem e o Brasil mais ou menos, acho que podemos derrotá-los. Mas se Japão e o Brasil estiverem bem, o Brasil tem maior probabilidade de vencer.

ESTADÃO - O jogo contra o Brasil será seu quarto como treinador do Japão. O que o senhor já passou nesse período aos seus jogadores que pode fazer com que japoneses derrotem o Brasil?

Sempre que você joga com o Brasil, seja seu quarto ou quadragésimo jogo no ano, é muito difícil derrotá-los. O importante é jogar unido e humildemente entender que o Brasil terá mais posse de bola. Aí, você precisa jogar 100% concentrado e marcar nas chances que tiver. Se não conseguir fazer isso, não será capaz de vencê-los.

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