Ian Kington/AFP
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Técnico do Newcastle diz que é mais perigoso ir ao supermercado do que jogar futebol

Steve Bruce defende a volta do Campeonato Inglês e afirma que equipes terão cuidado rigoroso com o coronavírus

AFP, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2020 | 08h45

O técnico do Newcastle, Steve Bruce, insistiu neste domingo na retomada do Campeonato Inglês para o fim de junho após o país superar a fase mais aguda da pandemia do novo coronavírus. Na opinião dele, pelas condições atuais de cuidado e de aglomeração, é mais perigoso ir ao supermercado do que jogar futebol. A manifestação do treinador vem em um contexto de expectativa no país pelo retorno das atividades dos clubes. É possível que a volta seja autorizada nos próximos dias.

Apesar de defender a volta imediata aos treinos, Bruce disse em entrevista ao jornal Sunday Telegraph que os jogadores "poderão cair como um castelo de cartas" por causa de lesões se não houver tempo suficiente para que se preparem fisicamente antes de um eventual reinício da competição. "A maioria dos técnicos tem a mesma preocupação. Precisamos de pelo menos seis semanas. Não vejo como os jogadores poderiam voltar a jogar antes do fim de junho", comentou.

O técnico disse não temer osriscos de contaminação se forem aplicadas rigorosas medidas sanitárias para proteger os atletas. "É provável que seja mais perigoso ir ao supermercado ou colocar gasolina no carro", ironizou o técnico. "Temos sorte, seremos testados a cada três dias", completou.

O governo britânico cogita permitir a retomada da Premier League com portões fechados a partir de 1º de junho. A organização busca soluções para disputar as últimas 92 partidas que faltam para concluir a temporada, suspensa desde março devido ao coronavírus. Os clubes ingleses se reunirão nesta segunda-feira para aprovar um protocolo sanitário que permita iniciar os treinos na terça-feira, respeitando as medidas de distanciamento físico impostas na Inglaterra, país mais afetado pela pandemia na Europa com cerca de 35 mil mortes.

O atacante Raheem Sterling, do Manchester City e da seleção inglesa, concordou com Bruce na necessidade de dar aos jogadores um período adequado de preparação: "Não dá pra voltar a jogar com só duas semanas de treino", declarou em seu canal no Youtube. "São necessárias quatro ou cinco semanas completas, especialmente se quando voltar você já vai estar competindo por pontos", completou.

A vontade de retomar o campeonato não é unanimidade entre os jogadores, divididos entre aqueles que temem o vírus e os que querem voltar a jogar. O atacante Wayne Rooney, ex-astro do Manchester United, hoje no Derby County (2ª divisão), garantiu ao Sunday Times que "a preocupação não é tanto com nós mesmos, que sempre temos o risco de uma lesão, mas sim de levar o coronavírus para casa e infectar as pessoas em nossa volta. A vida das pessoas está em risco".

O ex-capitão da seleção inglesa criticou o fato das autoridades do futebol inglês não terem consultado os jogadores sobre a questão da volta do futebol. "Algo que me surpreendeu é o pouco que se importam com nossas opiniões. A Premier League se comprometeu com os jogadores (a pedir suas opiniões), através de técnicos e capitães. Mas eu, como capitão do Derby, não recebi qualquer ligação para perguntar o que opinam os jogadores do Derby sobre uma possível volta" da temporada, revelou Rooney.

A Alemanha se tornou no sábado o primeiro grande país europeu de futebol a retomar seu campeonato, adotando um modelo que Espanha, Inglaterra e Itália pretendem copiar para concluir suas temporadas. Os três países aguardam o aval dos respectivos governos.

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