Técnico do Shakhtar chama Bernard de 'jogador de Twitter'

Meia, que disputou a Copa pelo Brasil, não é visto há três meses no clube e nunca deu satisfação sobre o seu sumiço à comissão técnica

O Estado de S. Paulo

12 de agosto de 2014 | 12h31

Maior contratação da história do Shakhtar, Bernard é o único jogador que não se apresentou ainda ao clube por conta das tensões de conflito em Donetsk. Nesta terça-feira, o treinador da equipe, Mircea Lucescu, mostrou indignação e ao site oficial do time, criticou de forma veemente a postura do jogador.

"O comportamento dele é simplesmente inexplicável. Em 40 anos como profissional, eu nunca me deparei antes com uma situação como esta que estou observando com ele! Nós nos separamos de Bernard no dia 15 de maio. Permitimos que ele fosse para casa mais cedo do que todos os outros. Pois agora já vai fazer quase três meses que a gente não o vê. E todo esse tempo, ele continua recebendo o salário do seu contrato. E eu, como seu treinador, nunca recebi dele nenhum telefonema, nenhum parabéns pela Supercopa da Ucrânia, nem mesmo palavras de ânimo sobre os outros jogadores", disse o treinador.

Indignado com a postura de Bernard nesse meio tempo, Lucescu atacou a falta de compromisso do jogador para com o clube. "A sensação que dá é que ele é um jogador de Twitter e das redes sociais. Ele contata com os fãs, mas, ao mesmo tempo, não se comunica com a sua equipe, que é quem lhe paga o salário e que não é nada pequeno".

Bernard ainda não se apresentou ao Shakhtar e posta fotos de 'férias prolongadas' nas redes sociais

Lucescu, que afirmou ter ido contra os interesses do clube quando contratou Bernard, revelou também ter se decepcionado com o jogador dentro de campo. "Quando ele assinou o contrato, eu lhe expliquei a filosofia da nossa equipe e a minha filosofia pessoal. Eu chamei a atenção dele para ele pensar muito bem antes de assinar. Ele não me escutou, assinou o contrato, provavelmente para receber dinheiro. E, como resultado, a gente o viu muito pouco aqui. Bernard é um jogador talentoso, com boas qualidades futebolísticas, mas o mais certo é que não seja para o Campeonato da Ucrânia. Talvez o lugar dele seja na Europa Ocidental ou no Brasil".

OUTROS BRASILEIROS

Além do meia que participou da Copa do Mundo, Lucescu também falou das situações de Alex Teixeira e Douglas Costa, meias que também se apresentaram com atraso e são especulados em equipes maiores da Europa. "Eles já estão trabalhando com o grupo. Eu disse aos jogadores antes do jogo com o Metalist. 'Se alguém sente que não está pronto para jogar, que admita isso honestamente'. Eu respeito as pessoas quando tudo é feito de modo correto. Àqueles que foram corretos comigo eu prometi logo: "Eu não vou puni-los por isso. Vocês apenas terão problemas com os colegas de equipe'. Espero que no futuro eles se comportem profissionalmente. Eles são jogadores queridos pelos nossos torcedores."

Sobre Dentinho, que também se apresentou com atraso, o técnico disse que ele entendeu sua situação e voltou melhor do que antes. "Estes últimos tempos foram uma boa lição para ele. Ao princípio ele se colou àqueles dois (Alex Teixeira e Douglas Costa), mas depois percebeu que não faz falta aos agentes. Eu dou nome aos bois. Mas agora, depois que voltou, ele está com uma atitude diferente em tudo", disse o treinador, que escalou o atacante ex-Corinthians entre os titulares no jogo contra o Metalist.

Especulado para defender o Fluminense, Wellington Nem também teve o seu nome lembrado por Lucescu, que o vê com bons olhos para esta temporada. "Infelizmente, ele esteve o ano inteiro lesionado. Mas espero que agora a gente possa pô-lo para jogar e vamos conseguir, finalmente, entender qual o seu potencial".

Por fim, Lucescu entende que o 'sumiço' de parte dos brasileiros que atuam no clube por conta da tensão foi forjadas por seus empresários e espera que eles cumpram seus compromissos. "O que aconteceu neste verão será uma grande lição de vida para os brasileiros. Aqueles oito dias da primeira concentração da pré-temporada, quando eles não apareceram logo. Tenho a certeza de que isso aconteceu sob a pressão dos agentes deles e o que parece é que depois os liberaram. Eles (joagdores) perceberam que têm um compromisso. Agora eles precisam se esforçar ao máximo para se reabilitar perante os demais jogadores."

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