Técnico faz apelo pelo futebol iraquiano

O técnico alemão Bernd Stange fez um apelo às entidades responsáveis pelo futebol em todo o mundo para que a seleção iraquiana continue a cumprir o calendário organizado pela Confederação Asiática, afetado pelo início dos ataques e bombardeios norte-americanos e ingleses ao país. Em entrevista coletiva concedida em Dubai, nos Emirados Árabes, nesta segunda-feira, o treinador pediu interferência da Fifa e de ?todos os que tenham alguma relação com o futebol? para regularizar a situação dos atletas que permanecem em Bagdá.Stange defendeu a idéia de retomar os trabalhos com os atletas iraquianos afim de disputar a fase de classificação dos Jogos Olímpicos de Atenas-2004. Após o início da invasão norte-americana ao Iraque, a Fifa suspendeu ?sem previsão de data? os jogos contra o Vietnã, previstos inicialmente para o dia 5 e 19 de abril.Com o dinheiro do próprio bolso, o treinador viajou aos Emirados para pedir cooperação de outros países árabes e dessa forma encontrar um local para treinar os atletas. ?O futebol é paz e depois das terríveis vivências da guerra a bola deveria rolar o mais rápido possível?, argumentou. Após falar por telefone com o vice-presidente da Federação Iraquiana de Futebol e membro da Fifa, Mohammad Hussein, o técnico disse que espera contar com os jogadores já neste mês de maio. ?Meu objetivo é retirar do Iraque os 25 jogadores e se possível nas próximas semanas para levá-los a outro país árabe".Unicef - Durante a entrevista coletiva do técnico Bernd Stange, a Unicef divulgou a intenção de realizar uma partida beneficente em que poderia participar representantes da entidade como o ex-jogador Michel Platini, Zidane, George Weah, Ronaldo, Beckham e Figo, provavelmente contra o Barcelona, nos Emirados Árabes, em outubro ou dezembro de 2003. Não está descartada a hipótese de a partida ser realizada contra a própria seleção iraquiana.Tortura - Stange demonstrou constrangimento ao ser questionado sobre reportagem da revista ?Time? cuja matéria revelou a descoberta de uma câmara de tortura dentro da sede da Federação Iraquiana de Futebol, para castigar os atletas contrários ao regime do ditador Saddam Hussein. ?Disso eu não tinha a mínima idéia. Jamais tive contato pessoal com Saddam e muito menos com seu filho, Udai?, este último presidente do Comitê Olímpico Iraquiano.

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