Daniel Augusto Jr.
Daniel Augusto Jr.

Ciro Campos e Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

09 Setembro 2018 | 07h00

Existem poucos cenários mais difíceis para a estreia de um treinador do que esse que Jair Ventura vai enfrentar neste domingo em seu primeiro jogo pelo Corinthians. Ele vai encarar o arquirrival Palmeiras, na casa do adversário, no retorno ao local de uma final de Campeonato Paulista para lá de polêmica e que ainda não terminou nos tribunais. Além disso, o Corinthians está em crise, com problemas em todos os setores e precisa da vitória para não se desgarrar da briga por uma vaga na Libertadores. Essa é a “fria” que o novo treinador vai enfrentar. 

Para Jair, apresentado oficialmente na sexta-feira em uma concorrida entrevista coletiva, o cenário virou um desafio. Outro complicador que ficou fora da lista inicial: o rival é um técnico experiente, campeão do mundo com a seleção brasileira e que tem um elenco recheado de opções, que permitem a escalação de um time misto no clássico.

“Você já chega e tem um clássico com um grande treinador, que eu admiro. Vamos lá e vamos fazer um grande jogo, como já fizemos este ano. Sabemos da responsabilidade do clássico, seria muito fácil eu chegar e deixar a maré abaixar, mas não. Eu gosto dos desafios na minha carreira”, disse Jair. 

O último treinador que encarou esse desafio – estrear diante do Palmeiras – foi Tite, hoje na seleção brasileira. Em 24 de outubro de 2010, o Corinthians venceu por 1 a 0 no Pacaembu, com gol de Bruno César. Foi o início da fase áurea do treinador, que chegou ao título mundial diante do Chelsea dois anos depois. 

Veterano

Ao contrário do estreante, Felipão é um grande veterano no dérbi. O técnico dirigiu o Palmeiras em 28 encontros contra o rival e, graças a alguns desses encontros, construiu uma grande empatia com o torcedor. As vitórias alviverdes sobre o Corinthians nas Libertadores de 1999 e 2000, ambas nos pênaltis, ajudaram a construir com o público a relação de idolatria pelo treinador gaúcho.

O novo comandante do Palmeiras confia nessa imagem para reverter a incômoda sequência recente de resultados negativos para o rival. Desde o ano passado, foram seis derrotas em sete encontros. Todos golpes duros e que geraram crises e um abalo grande para o elenco.

Justamente o lado emocional é um dos pontos fortes dos trabalhos de Felipão. A diretoria escolheu contratá-lo por ver nele potencial para fazer o elenco reagir em momentos difíceis. “Ele chegou, deu confiança e esta é a chave de tudo. O Felipão fala que confia muito no nosso potencial. A gente espera corresponder às expectativas dele”, disse o zagueiro Luan.

A relação entre Felipão e o rival Corinthians pode dar ao técnico a 200.ª vitória no comando do Palmeiras. Em 28 encontros com o Corinthians até agora, foram nove vitórias, nove empates e dez derrotas. Apesar das vitórias marcantes no dérbi, a passagem anterior do técnico pela equipe, entre 2010 e 2012, não teve resultados positivos nesses encontros. 

Naquele ciclo, a única vitória palmeirense foi pelo Campeonato Brasileiro de 2011, por 2 a 1, em Presidente Prudente, quando Felipão estava suspenso e o auxiliar, Murtosa, comandou o time à beira do gramado.

Reação

 Jair Ventura classifica a atual situação do Corinthians como “um momento delicado”. O time soma apenas uma vitória em sete jogos do Campeonato Brasileiro. As chances de disputa de título são remotas. O objetivo real é a busca por uma vaga na Libertadores. 

O treinador afirma que não fará grandes mudanças no momento inicial de trabalho. Sua primeira escalação será praticamente a mesma que perdeu para o Ceará, ainda sob o comando do antecessor Osmar Loss. Roger, que viveu grande fase com o novo treinador no Botafogo em 2016, deve voltar a ser protagonista, de acordo com os primeiros treinamentos. 

“Difícil fazer mudança em período curto. Vamos conversar. Não podemos achar que estamos em uma terra arrasada. Não é. Acredito muito na repetição para conseguir melhores resultados. Vamos acrescentar alguma coisa ou outra gradativamente, mas a ideia principal é dar sequência nesse trabalho”, afirmou o treinador. 

O Palmeiras vive o dilema de ganhar o clássico ou focar na semifinal da Copa do Brasil, quarta-feira, contra o Cruzeiro. Por isso, a formação para o dérbi será mista. Titulares como Bruno Henrique e Borja se lesionaram e estão fora. Mayke e Willian, desgastados, devem ganhar descanso. A novidade deve ser o goleiro Weverton, que não jogou contra o Atlético-PR. 

 

 

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Ciro Campos, O Estado de S.Paulo

09 Setembro 2018 | 07h00

Cinco meses depois da final do Campeonato Paulista, o Palmeiras volta a receber o Corinthians no Allianz Parque com uma situação muito diferente no elenco, mas sem mudanças nos bastidores. A diretoria mantém a saga nos tribunais para tentar impugnar a decisão, sob o argumento de interferência externa na arbitragem.

Para este mês, o clube aguarda um novo julgamento no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Em agosto, o Palmeiras conseguiu com que o órgão aceitasse o pedido para avaliar o caso, depois de revés na esfera estadual.

O elenco teve conversas dias atrás justamente sobre a final do Paulista. “É questão da diretoria, a gente não pode carregar isso para sempre, porque, querendo ou não, isso pode ficar no nosso subconsciente”, disse o zagueiro Luan.

Pelo menos em campo o Palmeiras de setembro é diferente daquele time de abril. O técnico Roger Machado saiu e veio Luiz Felipe Scolari, com outra proposta de jogo. A equipe atual tem a defesa mais consistente e busca o gol com mais paciência e troca de passes. 

O goleiro Weverton e o zagueiro Edu Dracena ganharam vaga e o meia Lucas Lima perdeu espaço. A equipe vive a estabilidade dos bons resultados recentes, a esperança de estar bem em três competições diferentes e a confiança de revezar titulares e manter bom desempenho. Continua, no entanto, o temor de que tanto favoritismo possa atrapalhar. 

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Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

09 Setembro 2018 | 07h00

O Corinthians vive uma rotina de desmanches e retomadas nas últimas temporadas. O campeão brasileiro de 2015 perdeu Renato Augusto, Jadson, Ralf, Malcom e o técnico Tite. No início deste ano saíram Jô, Arana e Pablo. Depois da conquista do Paulista, foram embora mais quatro titulares: Balbuena, Sidcley, Maycon e Rodriguinho. Desta vez, o time sentiu o baque e ainda não conseguiu se reencontrar. Os reforços que chegaram ainda não conquistaram espaços, como o chileno Ángelo Araos e o paraguaio Sergio Díaz, que não estreou. 

Com tantas mudanças, o time perdeu sua grande marca nos últimos anos: a força defensiva. Se o time foi o melhor no quesito em metade das últimas oito temporadas do Brasileirão, agora está apenas em sexto lugar. Cássio e Fagner ainda são as referências na defesa, mas o time não conseguiu substituir o paraguaio Balbuena. 

A defesa é o primeiro desafio do novo treinador, Jair Ventura, substituto de Osmar Loss, auxiliar que foi promovido após a saída de Fabio Carille, em maio. Loss não teve força para reconstruir a equipe e agora voltou a ser auxiliar. 

A indefinição tática chegou também ao ataque. Após a saída de Rodriguinho, que chegou a fazer as funções de camisa 10 e camisa 9, criando e finalizando, o time desaprendeu a atacar. Romero viveu uma fase goleadora, mas está em um momento ruim. Loss colocou as fichas em Roger antes da queda, aposta que deve ser renovada por Jair.

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