Divulgação/Twitter do Binacional
Divulgação/Twitter do Binacional

Técnico novo e altitude: conheça o Binacional, o caçula adversário do São Paulo

Quando o time peruano foi criado, São Paulo já era bicampeão da Libertadores e Mundial

Guilherme Amaro, O Estado de S.Paulo

04 de março de 2020 | 11h01

Fundado em 2010, o clube peruano Escuela Municipal Binacional disputa sua primeira Copa Libertadores da América neste ano. O caçula do torneio é o adversário da estreia do São Paulo, em duelo que será realizado nesta quinta-feira, às 21h (de Brasília), no Estádio Guillermo Briceño Rosamedina, em Juliaca, cidade do sudeste do Peru que fica 3.825 metros acima do nível do mar. A altitude da quinta cidade mais alta do mundo será talvez o principal desafio para o São Paulo.

Em 2019, o Binacional conquistou o primeiro título de sua história, o Campeonato Peruano, e garantiu a classificação para a Libertadores deste ano. Em poucos meses, a equipe sofreu uma reviravolta em seu comando. Juan Arce e Roberto Mosquera treinaram o time em 2019. Para 2020, o argentino César Vigevani foi contratado, mas pediu demissão ainda em fevereiro, e Javier Urutunco ficou como interino até a chegada do colombiano Flabio Torres na semana passada.

Em sua apresentação, Flabio Torres exaltou os adversários que o Binacional terá nesta primeira etapa da Libertadores. Além do São Paulo, estão no Grupo D o argentino River Plate, atual vice-campeão, e a equatoriana LDU.

"Caímos em um grupo forte, mas não podemos vê-los como os gigantes. Em campo, é uma batalha de 11 contra 11", afirmou o treinador, que tem 56 anos e acumula trabalhos no Rionegro, Atlético Bucaramanga, Deportivo Pasto, Cucuta e Once Caldas, todos clubes colombianos.

Na partida de estreia de Flabio Torres, o Binacional empatou por 1 a 1 com o Carlos Stein. A equipe está em terceiro lugar do primeiro turno do Campeonato Peruano, com dez pontos, cinco a menos do que o líder Alianza Lima. Foram disputadas cinco rodadas da competição nacional até agora.

Uma provável escalação do Binacional para enfrentar o São Paulo tem: Raúl Fernández, Ángel Pérez, John Fajardo, Edgar Fernández e Jeikson Reyes; Yorkman Tello e Dahwling Leudo; Johan Arango, Reimond Manco e Andy Polar; Aldair Rodríguez.

O jornalista peruano Omar Paredes, do jornal Exitosa, analisou os pontos fortes do Binacional. "A equipe é escalada no esquema tático 4-2-3-1 e gosta de jogar pelas pontas, com muita velocidade, principalmente com Andy Polar pela esquerda. Também é um time que chuta bastante de fora da área".

Para poder jogar na altitude de Juliaca, o Binacional instalou novos refletores no Estádio Guillermo Briceño Rosamedina. Isso porque a Conmebol exige iluminação de no mínimo 1.000 lux, algo que não havia no estádio com capacidade de cerca de 15 mil pessoas. Se não pudesse atuar em casa, o Binacional teria de mandar seus jogos na cidade de Arequipa, onde a altitude é de 2.300 metros acima do nível do mar e tem pouca influência no desempenho dos atletas.

As obras custaram cerca de R$ 6 milhões e contaram com um acordo entre o Binacional e o governo do Peru. O estádio é público, e qualquer reforma teria de passar por licitação. O presidente do Peru, Martín Vizcarra, ajudou a acelerar o processo para o time não correr risco de ter de mandar seus jogos em outro local.

Em suas redes sociais, o Binacional descreveu a sua estreia na Libertadores contra o São Paulo como um "evento histórico" para a região de Puno. "O ambiente está muito bom. É a primeira vez que o clube vai participar desse torneio e gera ainda mais expectativa pela qualidade do time que vai ter pela frente, um tricampeão da América como o São Paulo", disse o jornalista Omar Paredes.

Logística do São Paulo

Para minimizar os efeitos da altitude de Juliaca, o São Paulo viaja após o treino desta quarta-feira para Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. A delegação vai para a cidade peruana apenas na quinta-feira depois do almoço, horas antes da partida contra o Binacional. O clube fretou os voos, tanto de ida quanto de volta, que acontecerá logo após o duelo e também terá escala em Santa Cruz de la Sierra. O trajeto entre Juliaca e a cidade boliviana deve durar pouco mais de uma hora.

Em relação ao adversário, o São Paulo também está atento e enviou profissionais ao Peru para ver o Binacional jogar. O técnico Fernando Diniz afirmou que está ciente das armas do rival."Esperamos um jogo complicado por causa da altitude. É um bom time também. Mandamos gente para ver jogos, temos material catalogado. Não será um adversário que vai nos pegar de surpresa", disse o treinador são-paulino.

 

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