Rubens Chiri/ saopaulofc.net
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Técnicos estrangeiros acumulam fiascos no Brasil em 2021 com Crespo, Ariel Holan e Ramírez

Santos, São Paulo, Inter, Bahia e Athletico-PR viram suas apostas fracassarem na  temporada; no Palmeiras, Abel Ferreira continua pressionado

Toni Assis, especial para O Estadão

25 de outubro de 2021 | 10h00

Nos últimos anos, eles ganharam prestígio por aqui após a passagem vitoriosa de Jorge Jesus pelo Flamengo em 2019. O ciclo vencedor de Abel Ferreira no ano seguinte à frente do Palmeiras (venceu Libertadores e Copa do Brasil) estimulou ainda mais a chegada de treinadores estrangeiros. Mas se os forasteiros ganharam os holofotes nas temporadas recentes, 2021 dá sinais de que essa tendência vem tomando outro rumo. Ariel Holan Miguel Ángel Ramírez e Diego Dabove tiveram  vida curta em SantosInternacional e Bahia respectivamente. O português António Oliveira não emplacou no Athletico-PR. Hernán Crespo teve o ciclo encerrado no São Paulo e Diego Aguirre está longe de ser uma unanimidade na equipe do Beira-Rio, que manteve sua aposta em um treinador gringo.

Abel Ferreira pode até ser a exceção nessa lista já que é novamente finalista da Libertadores. Mas a verdade é que, embora o treinador possa se tornar bicampeão da América, o desempenho à frente do Palmeiras neste ano vem causando dissabores aos torcedores do clube.

No primeiro semestre, o Palmeiras teve a chance de levantar troféus em três oportunidades. Mas falhou em todas. No Estadual, amargou o vice-campeonato para o São Paulo. Nas decisões da Recopa Sul-Americana e da Supercopa do Brasil a equipe paulista acabou superada pelo Defensa Y Justicia, da Argentina, e para o Flamengo.

Outra decepção viria na Copa do Brasil: eliminação na terceira fase para o CRB em pleno Allianz Parque. Essa inconstância trouxe consequências. Favorito ao título do Brasileiro, o Palmeiras perdeu fôlego e vem deixando a briga pelo primeiro lugar polarizada entre Atlético-MG e Flamengo.

Preocupado em estancar a crise, o presidente Maurício Galiotte até marcou presença em alguns treinamentos do time na Academia para tentar minimizar a pressão da torcida. No entanto, as pichações recentes nos muros da sede social mostram que, apesar de levar o time novamente a mais uma decisão de Libertadores, Abel Ferreira trabalha sob alto grau de insatisfação.

Ciente do mau momento da equipe, ele busca nas arquibancadas um apoio para mudar o cenário. “Queremos mais e melhor da nossa equipe. Mas é isso que quero dos nossos torcedores. Que nos apoie o jogo todo. Essa torcida ganha jogos. Ela é muito importante para nós”, afirmou o treinador português.

SANTOS E  SÃO PAULO

Além do Palmeiras, mais dois grandes paulistas também sofreram com treinadores de fora nesta temporada: Santos e São Paulo. O time da Vila Belmiro trouxe Ariel Holan no final de fevereiro. Apesar de ter assinado um contrato de duas temporadas, ele mal cumpriu um trimestre no comando técnico da equipe. Foram apenas 12 partidas com quatro vitórias, três empates e cinco derrotas e aproveitamento de 41,6%.

O saldo dessa passagem relâmpago foi um desempenho pífio no Paulista, onde o time esteve seriamente ameaçado de ser rebaixado. A equipe sequer se classificou para os jogos de mata-mata.

O pedido de demissão feito pelo treinador teve como alegação um protesto da torcida em frente a sua casa. Mas internamente, o técnico argentino ficou insatisfeito com a fragilidade do elenco. A saída de  Soteldo aumentou o seu descontentamento. Esse mau início custou caro ao Santos que acabou eliminado na fase de grupos da Libertadores.

Posteriormente desclassificado na Sul-Americana e na Copa do Brasil, o time da Vila Belmiro faz campanha ruim no Brasileiro (briga para fugir da zona do rebaixamento).

Mas se Ariel Holán teve uma passagem com dissabores por aqui, Hernán Crespo construiu um enredo diferente. Logo ao chegar, pôs fim à um jejum que se mantinha desde 2005 ao ganhar o Campeonato Paulista.

Exaltado pela diretoria por ter sido uma escolha certeira, o argentino, no entanto, sofreu com excesso de lesões no elenco. O cenário ficou mais tenso com as eliminações nas quartas da Libertadores para o Palmeiras e também na queda da Copa do Brasil diante do Fortaleza.

Mas o que pesou para sua saída, foi o Brasileirão. A primeira vitória na competição veio apenas na décima rodada. A zona da degola passou a ser lugar frequente da equipe na classificação.

Com cinco empates seguidos, a diretoria optou por trazer de volta Rogério Ceni. “O problema no futebol é o resultado. Tem momentos em que o técnico não consegue mais resultados e é necessário mudar. Isso não quer dizer que o Crespo não seja um grande treinador”, afirmou o coordenador técnico Muricy Ramalho ao site do São Paulo.

NO SUL E NA BAHIA, CONTRATAÇÕES NÃO VINGARAM

Início de março e o Inter comemorou o acerto com Miguel Ángel Ramírez, de 36 anos. O espanhol, que fechou contrato até o final de 2022, também estava no radar do São Paulo. Apesar de jovem, o comandante chamou a atenção pelo trabalho à frente do Independiente del Valle, do Equador, onde conquistou a Copa Sul-Americana de 2019.

O primeiro teste a que Ramírez foi submetido foi a final do Campeonato Gaúcho. E o resultado foi amargo. Diante do maior rival, o Inter acabou amargando o vice-campeonato gaúcho.

Sem conseguir exibir um grande futebol, o treinador sofreu outro revés: a eliminação na Copa do Brasil nos confrontos diante do Vitória. A derrota de 3 a 1 em Porto Alegre decretou o fim do seu ciclo no Beira Rio. Em junho ele acabou se despedindo.

Mesmo com o insucesso de Ramírez, a diretoria apostou em outro estrangeiro para a sequência do trabalho. Diego Aguirre, que já foi jogador do clube, assumiu o comando, mas a sina de eliminações persistiu. Com ele, o Inter caiu para o Olímpia pelas oitavas da Libertadores. No Brasileiro, time gaúcho é apenas o sexto colocado.

Outro time da região Sul que não teve o resultado aguardado com um técnico estrangeiro foi o Athletico. O português António Oliveira foi alçado da condição de auxiliar a treinador principal com a ida de Paulo Autuori  para a função de diretor técnico.

Esse processo, iniciado em março, terminou em setembro após a eliminação do rubro-negro paranaense nas semifinais do Estadual. Nascido em Lisboa, e com 39 anos, Oliveira acabou demitido. Em 40 jogos, o seu aproveitamento foi de 58% com 21 vitórias, sete empates e 12 derrotas.

Outro que teve vida curta na temporada foi o argentino Diego Dabove, contratado em agosto pelo Bahia para substituir Dado Cavalcanti no comando da equipe tricolor. No entanto, o treinador acumulou resultados ruins e ficou apenas dois meses no cargo, deixando o time após acumular uma vitória, dois empates e três derrotas — alcançando o baixo aproveitamento de 28%. Para o seu lugar, Guto Ferreira foi contratado para salvar a equipe do Z-4 do Brasileirão. 

VOJVODA FOGE À REGRA E BRILHA NO FORTALEZA

Diante das apostas feitas pelos clubes brasileiros nesta temporada, quem acabou ficando com o bilhete premiado foi o Fortaleza, que contratou Juan Pablo Vojvoda para comandar a equipe nesta temporada.

O time cearense trouxe o treinador argentino em virtude do seu bom trabalho no comando do Unión La Calera. Antes de sua passagem no futebol chileno, seu currículo era baseado em clubes da Argentina como Huracán, Talleres, Defensa Y Justicia e Newell's Old Boys.

Logo em seu primeiro teste, conseguiu levantar a taça do Campeonato Cearense. Fazendo ótima campanha no Brasileiro, o Fortaleza está em situação difícil na Copa do Brasil após perder para o Atlético-MG no jogo de ida das semifinais.

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