José Patrício
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Tecnologia ajuda na evolução da Ferroviária

Time conta com software que analisa desempenho

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

05 de março de 2016 | 17h00

Uma das razões das boas atuações da Ferroviária no Campeonato Paulista é a tecnologia. O clube investiu R$ 27 mil em um software para a análise do desempenho dos jogadores. “Poucos clubes no Brasil possuem esse equipamento”, afirma Rui Sousa, um dos analistas de desempenho da Ferroviária. 

Analista de desempenho é uma figura nova nas comissões técnicas. Ele organiza para o treinador informações e elementos técnico-táticos do desempenho da própria equipe e também dos adversários com recursos tecnológicos, vídeos, estatísticas e relatórios.

Em todos os jogos, o time leva dois analistas para gravar os jogos. É uma gravação diferente da tevê e que permite analisar setores do time que não estão participando do lance com a bola. No lance do primeiro gol do time contra o Corinthians, por exemplo, enquanto a bola está no ataque, os analistas alertam para a posição dos defensores. “Estamos sempre pensando no lance seguinte”, conta Sousa, português que trabalhou com o técnico Sérgio Vieira no Atlético-PR.

As imagens podem ser analisadas ainda durante o jogo, no intervalo. A comissão técnica usa um iPad para mostrar aos jogadores as imagens do que acertaram e do que erraram. O programa permite recortes de todos os escanteios, contra-ataques e outros lances específicos. Em dois ou três minutos, a comissão técnica mostra as imagens da atuação da equipe.

A análise de imagens se repete durante a semana com aulas quase diárias sobre a atuação do time e do adversário – a comissão técnica analisa quatro jogos de cada rival antes de enfrentá-lo. As projeções são feitas na Arena da Fonte em uma sala com vários recursos multimídia. Cada aula dura por volta de uma hora.

Embora seja inovador, o novo método de treinamento já foi aprovado pelos jogadores. “Ficamos mais tempo na sala de aula do que no campo”, brinca o meia Rafael Miranda, um dos mais experientes e com passagens pelo Atlético-PR, Marítimo, de Portugal, e Bahia. “Já passei por vários clubes, inclusive na Europa, mas algumas coisas são novas para mim aqui”, afirma.

O zagueiro Marcão afirma que está evoluindo com os vídeos. “No campo, nem sempre temos a percepção sobre o posicionamento correto. Na tela, fica mais fácil ver e corrigir”, diz.

O técnico Sérgio Vieira, que começou sua carreira como analista de desempenho, afirma que os jogadores precisam ser estimulados a novos tipos de treinamentos. “No futebol, é importante estimular e repetir até atingir o resultado ideal”, afirma.

Rui Sousa reconhece que existe um choque cultural para os jogadores que, em geral, não estão acostumados com aulas e vídeos. Passado o impacto, ele afirma que os jogadores procuram imagens que possam auxiliá-los, principalmente quando percebem a evolução da equipe. “Os treinos são muito diferentes daqueles feitos em outros clubes. Com o tempo, a gente se acostuma”, diz Rafinha.

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