Teixeira ataca Melles e Althoff

O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, fez questão de demonstrar seu poder político no cenário esportivo e alternou momentos de arrogância, desdém, ironia e raiva, em sua primeira aparição pública no ano, nesta sexta-feira, durante o lançamento da nova camisa da seleção brasileira, na Escola Naval, no Centro do Rio.O dirigente afirmou que não deixará seu cargo, que irá acompanhar a seleção durante a Copa do Mundo de 2002, desafiou o Ministro do Esporte e Turismo, Carlos Melles, e ainda classificou de "extraterreno" o senador Geraldo Althoff (PFL-SC), relator da CPI do Futebol.Ao chegar ao evento, Ricardo Teixeira desmentiu as especulações sobre sua saída do cargo, confirmada há uma semana pelo ministro Melles. "Para quem saber ler, um pingo é letra. Vou acompanhar a seleção dia-a-dia, até o final da Copa, quando voltaremos com o título", frisou o dirigente.Ricardo Teixeira usou o apoio dos 27 presidentes das Federações de Futebol do Brasil e sua nova reeleição para o cargo de membro do Comitê Executivo da Fifa para insinuar que seu prestígio não ficou abalado por causa das denúncias de que foi alvo e dos indiciamentos na CPI do Futebol, no Senado. A nova reeleição incorporou definitivamente o dirigente ao quadro "diretivo" da entidade máxima do futebol.Ciente de que dificilmente será retirado do cargo de presidente da CBF, Ricardo Teixeira disse não ver motivos para deixar a entidade. A força nos bastidores políticos do futebol deixou o dirigente a vontade para não medir palavras na hora de provocar alguns de seus principais desafetos: o ministro do Esporte e Turismo e o senador Althoff.Ricardo Teixeira reagiu com desdém a uma possível carta de sua renúncia ao cargo de presidente da CBF, que Melles insinuou ter. "Não vou polemizar. Tenho o maior respeito pelo ministro. Mas quem diz que tem carta, mostra a carta", desafiou o dirigente.A ira de Ricardo Teixeira sobre Althoff, a quem qualificou de "extraterreno", foi motivada pelo provável auxílio-técnico do senador, durante a CPI da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj), prevista para ser instaura até o dia 22. Segundo o presidente da CBF, as acusações de desvio de verbas e apropriação indébita, feitas contra o presidente da entidade, Eduardo Viana, o Caixa D?água, e um de seus vice-presidentes, Francisco Aguiar, são infundadas."Tenho a certeza de que os deputados e três senadores do Rio não precisarão do auxílio complementar de um senador obscuro de Santa Catarina", provocou Ricardo Teixeira. "Os dirigentes de futebol e os políticos do Rio se entenderão sem a necessidade da interferência de nenhum extraterreno." Irônico, Ricardo Teixeira ainda deixou transparecer a raiva que nutre contra setores da imprensa e mandou um "recado para alguns cronistas". "Tem alguns cronistas aí do Brasil que têm que estar rezando para eu ficar na CBF. Porque o dia em que eu sair da CBF, eles não têm mais nada o que escrever em suas colunas", atacou.O ministro Calos Melles está viajando e não foi encontrado para comentar as declarações de Ricardo Teixeira. O senador Geraldo Althoff não retornou às ligações da Agência Estado.

Agencia Estado,

01 de fevereiro de 2002 | 18h06

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.