Teixeira avisa que não renuncia

Fazia tempo que ninguém via ou ouvia o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, que está afastado do cargo, se pronunciar. O jejum, que durava desde setembro, acabou na noite de quinta-feira, em Assunção, no Paraguai, surpreendendo até mesmo outros dirigentes. No retorno aos holofotes, ele fez questão de mostrar que ainda tem poder, segurança e não está preocupado com o indiciamento pela CPI do Futebol nem com a pressão do ministro dos Esportes e Turismo, Carlos Melles, para que renuncie antes da Copa do Mundo.Houve uma "boa dose de jogo de cena", afirmou um cartola que conversou reservadamente com o presidente da CBF. Aos amigos, ele admite estar bastante preocupado. Mas em público quer passar a imagem de total tranqüilidade. Sobre a CPI e as declarações de Melles e do senador Álvaro Dias, que o querem fora da CBF, Ricardo Teixeira preferiu não fazer comentários. "Não falo sobre isso, só ouço." Usou, porém, a seleção brasileira para dar o recado de que ainda é o chefão do futebol no País e manda mais do que qualquer outro colega. "O Felipão vai à Copa e será o campeão do mundo", declarou à Agência Estado.Só fala assim quem está certo de ter poder até lá. Ou tudo não passou de teatro? Quando indagado sobre a possibilidade da criação do cargo de diretor de Seleções, disse que, por enquanto, não há nada encaminhado para que isso ocorra, mas não descartou a hipótese. Elogiou o técnico Carlos Alberto Parreira, um nome de peso para exercer a função. "Gosto muito dele."Ricardo Teixeira submeteu-se a um cateterismo em setembro, dias antes de ter de depor na CPI do Futebol. Acabou não indo. Ganhou licença do cargo, que terminou no fim de outubro, mas, alvo de várias denúncias e acusações, não voltou a assumir a presidência da entidade e há mais de três meses não saía da toca. "Os médicos pediram que eu evitasse me estressar até o início do ano", comentou, justificando a ausência.Diz que volta no começo de 2002. Enquanto isso, trabalha bastante como membro do Comitê Executivo da Fifa. Atividade que, ao que parece, foi liberada pelos médicos. Na quinta-feira, representou a Fifa em reunião na sede da Confederação Sul-Americana de Futebol. À noite, foi ao jantar de apresentação da Copa Libertadores da América de 2002 e, nesta sexta-feira, esteve presente ao sorteio das chaves da competição. Seus compromissos, no entanto, não param por aí. Domingo, vai para a Europa e, na terça-feira, se encontrará, em Zurique, com outros dirigentes da Fifa para discutir temas como eliminatórias e Mundial de Clubes.Humor irreconhecível - Na volta à cena, Ricardo Teixeira deixou de lado o costumeiro mau humor para contar piadas e dar risada. No jantar de quinta, sentou-se ao lado de J. Hawilla, proprietário da Traffic, de Oscar Harrison, presidente da Associação Paraguaia de Futebol, e do deputado Nabi Abi Chedid. À vontade, tirou o paletó, comeu bem e conversou com vários cartolas. Na mesa, foi cumprimentado por dirigentes das mais diversas associações e presidentes de clubes, como José Alberto Guerreiro, do Grêmio, Edmundo Santos Silva, do Flamengo, e Nicolás Leoz, da Conmebol. Foi o centro das atenções e sentiu-se um verdadeiro presidente, o que pode durar pouco se depender da vontade de alguns políticos.Foi um dos últimos a deixar o luxuoso restaurante do Hotel Yatch Golf Y Clube, mesmo não tendo tanta afinidade com a imprensa, chegou a brincar com um repórter brasileiro, que tentou paquerar uma paraguaia. "Vou tirar uma foto e pôr no jornal que você estava namorando em hora de expediente."

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