Teixeira e Pelé: a paz após 8 anos

Desde o final do ano, quando foram instaladas as CPIs da Câmara e do Senado, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, passou a ensaiar uma aproximação, que se concretizou no início de 2001, com o ex-jogador Pelé. Assim, o dirigente modificou uma postura, intransigente, sustentada durante oito anos, período em que durou a briga com o ex-ministro do Esporte e Turismo.A desavença entre os dois começou em 1993, quando Pelé acusou a diretoria da CBF de ser corrupta: afirmou que a entidade tinha cobrado uma comissão extra para vender os direitos de transmissão de um dos campeonatos que organizava. Teixeira reagiu, atribuindo as declarações do ex-jogador ao fato de a Pelé Sports & Marketing ter perdido a concorrência para adquirir os direitos sobre a competição. Não se falaram desde então e seguiram os ataques mútuos.Durante a campanha para que o Brasil fosse sede do Mundial de 2006, houve várias trocas de farpas, pois Pelé se recusou a apoiar o dirigente nessa empreitada. Ou seja, até julho do ano passado, quando a Alemanha foi escolhida pela Fifa, continuava o desacordo entre os dois.Em outubro foi instalada a CPI da CBF/Nike e, pouco depois, o presidente da CBF começou a dar sinais de que mudara de opinião sobre o ex-ministro. Quando a Fifa realizou a polêmica eleição para o melhor jogador do século, em dezembro, Teixeira emitiu um comunicado oficial apoiando Pelé na disputa com Maradona. Foi a primeira nota favorável ao ex-jogador desde a briga.Mas foi no início desse ano que Teixeira deixou claro que tinha intenção de contar com o apoio de Pelé. Aceitou fazer um acordo no processo que o ex-ministro tinha contra a CBF pedindo indenização pelo uso indevido de sua imagem no álbum de figurinhas "Heróis do Tri. A entidade terá de pagar ao ex-jogador entre R$ 600 mil e R$ 1 milhão. Detalhe: há sete anos a CBF vinha postergando uma solução para o caso.Segundo advogados de Pelé, o dirigente sempre se recusou a negociar o pagamento da dívida - foi necessário uma execução judicial para pressionar a CBF. No dia seguinte, Teixeira explicou que Pelé tinha razão no processo porque a entidade tinha usado a sua imagem sem autorização.Logo após, o dirigente anunciou o fim do embate entre os dois, com a intenção de promover a "união no futebol brasileiro". A mudança de posição, explicou, foi fruto de uma "reflexão". Não quis falar sobre as denúncias anteriores de Pelé, que classificou como "coisas do passado". O ex-ministro também atribuiu a paz à necessidade de unir forças pelo futebol. A justificativa não convenceu o presidente da CPI da Nike, Aldo Rebelo, que enxergou na mudança uma tentativa de fragilizar a investigação da comissão sobre Teixeira. Isso porque o encontro entre o dirigente e o ex-jogador conta com o apoio do governo federal, por meio do ministro do Esporte e Turismo, Carlos Melles.

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